quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Começou a nova turma de Missão Integral, mas ainda da tempo ...

Apesar de ter iniciado a nova turma de Missão Integral do Seminário do Betel Brasileiro em São Paulo, você ainda pode se inscrever procurando a secretaria do Curso.

O Reino precisa de mais gente capacitada a enfrentar os desafios de servir e ajudar no meio de situações de necessidades físicas, psicológicas e espirituais.

Abraços
Lauberti Marcondes
http://diaconia-integral.blogspot.com

sábado, 18 de junho de 2011

Declaração da Consulta de Lausanne: Livra-Nos Do Mal

Em 2010 na Cidade do Cabo, Africa do Sul, reuniram-se cristãos de diversas partes do mundo e consolidaram uma declaração que veio sendo construida ao longo da história do movimento de Lausanne sobre a questão da batalha espiritual na qual todos nós estamos inseridos. Se após ler esta introdução e base teológica se interessar, a declaração completa esta no site do movimento no link abaixo.

Abraços

Lauberti Marcondes
Aluno da 1ª turma do Curso de Missão Integral
http://diaconia-integral.blogspot.com/


Livra-Nos Do Mal


Introdução

A batalha espiritual é uma área emergente, porém desconfortável, dentro do esforço de levar todo o Evangelho para o mundo todo. Entusiasmo e preocupação estão lado a lado. Tentando lidar com as várias e complexas questões que envolvem este assunto, trinta ministros de libertação, missiólogos, pastores e teólogos encontraram-se em Nairóbi, no Quênia, durante os dias 16 a 22 de agosto de 2000. Juntos discutimos questões ligadas à batalha espiritual numa conferência denominada "Livra-nos do Mal", convocada pelo Comitê de Lausanne para a Evangelização Mundial e pela Associação dos Evangélicos na África. O objetivo da consulta foi buscar uma compreensão abrangente e bíblica sobre: (1) quem o inimigo é; (2) como ele atua; e (3) como podemos combatê-lo para podermos ser mais eficazes na evangelização de todos os povos.

Nosso grupo incluiu ministros de libertação e de ministérios de oração da América Latina, África, Ásia, Europa, Austrália e dos Estados Unidos da América; pastores e líderes evangélicos da África e América do Norte; um executivo de uma agência de assistência social e desenvolvimento; um psicólogo africano que trabalha na América do Norte; teólogos da Ásia, Europa e América do Norte; missionários que atuam na África e na América Latina; executivos de missão da Europa e América do Norte; e professores de missiologia da América do Norte e Europa. Entre nós estiveram presbiterianos, pentecostais, metodistas, anglicanos, luteranos, batistas e membros da Igreja Evangélica da África Ocidental, Igreja do Sul da Índia, Igreja Profética Berachah, Igreja Evangélica da Aliança, Igreja dos Irmãos, Aliança Cristã e Missionária, e Bible Church (Estados Unidos).

Observamos com interesse que a maioria dos participantes da consulta provenientes de sociedades ocidentais veio a reconhecer as realidades do invisível ou do âmbito espiritual como resultado da sua experiência transcultural. Aqueles oriundos do "Mundo dos Dois Terços" (**) freqüentemente reportavam suas experiências com missionários ocidentais que, por desconhecerem estas realidades espirituais, estavam portanto incapacitados para ministrar às realidades espirituais que as pessoas do Mundo dos Dois Terços vivenciam diariamente.

Como nos encontramos em Nairóbi, pudemos aprender com as idéias dos irmãos e irmãs da África Oriental e do movimento de reavivamento que ali se opera. Afirmamos especialmente a forma como os nossos irmãos e irmãs da África Oriental exaltam a Jesus, e este crucificado, diante da batalha espiritual. Reconhecemos de forma renovada que o único caminho para se quebrar o poder de Satanás na vida diária, na sociedade e na cultura é andando na luz, para que Satanás não possa nos prender na escuridão.

Como expressamos na oração "livra-nos do mal", oramos para sermos libertos do pecado pessoal, dos males naturais, de espíritos e poderes malignos e do mal na sociedade.

Origens

Nosso ponto de partida inclui a Declaração de Lausanne, o Manifesto de Manila e a Declaração do Comitê de Lausanne para a Evangelização Mundial de 1993 sobre a Batalha Espiritual, que afirmam a realidade do nosso engajamento na batalha espiritual:

Cremos que estamos engajados numa constante batalha espiritual com os principados e poderes do mal, que procuram derrubar a igreja e frustrar sua tarefa de evangelização mundial. (Declaração de Lausanne, 1974)

Afirmamos que a batalha espiritual demanda armas espirituais, e que precisamos pregar a Palavra no poder do Espírito e clamar constantemente para que possamos nos inserir na vitória de Cristo sobre os principados e poderes do mal. (Manifesto de Manila, 1989)

Concordamos que evangelizar é trazer pessoas das trevas para a luz e do poder de Satanás para Deus (Atos 26.18). Isto envolve um inevitável elemento de batalha espiritual. (Declaração de Lausanne sobre Batalha Espiritual, 1993)

A Conferência e seus participantes reconhecem a relevância da batalha espiritual para a evangelização mundial. Não estamos tentando tomar o partido de nenhuma visão em particular, mas expandir o pensamento evangélico numa área emergente na qual existem controvérsias. Esta Declaração indica áreas nas quais há comum acordo, áreas de tensões não resolvidas, advertências, e aponta áreas que ainda precisam ser estudadas e exploradas mais a fundo. Nossa intenção é encorajar as igrejas de todas as tradições a usarem esta Declaração para estimular uma discussão franca, uma reflexão séria e um ministério prático na área da batalha espiritual, para glória de Deus.

Base comum


Afirmações teológicas

Nós afirmamos o testemunho bíblico de que as pessoas foram criadas à imagem de Deus para viverem em comunhão com ele, em comunhão com outras pessoas e como mordomos da criação de Deus. O relacionamento entre Deus e a humanidade foi quebrado por meio da entrada misteriosa do mal na criação de Deus. Desde a queda o mal tem influenciado todos os aspectos da criação e da existência humana. O plano de Deus é redimir e restaurar sua criação caída. O propósito redentor de Deus é ser revelado e percebido na história da salvação, e plenamente no evangelho da encarnação, morte, ressurreição, ascensão e volta de seu Filho, Jesus Cristo. Nós somos chamados a participar na missão de Deus de combater a maldade e o maligno a fim de restaurar o que foi destruído como resultado da queda. Vivemos num mundo em tensão entre o Reino que já veio em Cristo e a realidade contínua do mal. A missão de Deus será consumada quando Cristo voltar, o Reino de Deus vier com poder e o mal for destruído e eliminado para sempre.

1. Chamar pessoas para a fé em Cristo, convidando-as para serem libertas do domínio das trevas e ingressarem no Reino de Deus - é o mandato missionário para todos os cristãos. Afirmamos uma compreensão integral da evangelização, que encontra sua fonte no relacionamento com Cristo e no chamado que ele nos faz para que nos tornemos íntimos com ele na comunhão dos crentes. O Espírito Santo nos capacita para a evangelização mundial através dos ministérios da palavra (proclamação), da ação (serviço e ação social) e do sinal (milagres, encontros de poder), todos eles inter-relacionados e que acontecem no contexto da batalha espiritual.

2. Satanás é um ser real, pessoal e criado. Satanás tentou Jesus no deserto, procurou destruí-lo e, ainda à luz da manhã da ressurreição, viu-se derrotado. Ele continua opondo-se ativamente à missão de Deus e à obra da igreja de Deus. (1)

3. As potestades e principados são seres ontologicamente reais. Eles não podem ser reduzidos a meras estruturas sociais ou psicológicas. (2)

4. Satanás age tirando aquilo que Deus criou para o bem-estar humano e pervertendo-o através dos seus propósitos, que são destruir e desvalorizar a vida escravizando indivíduos, famílias, comunidades locais e sociedades como um todo. Satanás contextualiza seus esforços de diferentes maneiras nas várias sociedades e culturas.

5. Satanás usa artimanhas numa tentativa de redirecionar a lealdade humana para alguém ou alguma outra coisa que não Deus. Isso ele faz, não apenas no nível pessoal, mas em relação a todas as formas institucionalizadas de alianças religiosas ou ideológicas, inclusive a igreja.

6. Satanás e "os principados e potestades, os dominadores deste mundo tenebroso, as forças espirituais do mal nas regiões celestes" agem de várias maneiras: (3)

a. Enganando e distorcendo
b. Tentando a pecar
c. Afligindo o corpo, as emoções, a mente e a vontade
d. Assumindo controle sobre uma pessoa
e. Desordenando a natureza
f. Distorcendo os papéis da estrutura social, econômica e política
g. Apontando bodes expiatórios como meio de legitimar a violência
h. Promovendo interesses pessoais, injustiça, opressão e abuso
i. Através da esfera do oculto
j. Através das falsas religiões
k. Através de todas as formas de oposição à obra salvífica de Deus e à missão da igreja.

7. Um propósito primordial da vida e ministério de Jesus foi expor, confrontar e derrotar Satanás, e destruir a sua obra.

a. Cristo derrotou decisivamente Satanás na cruz e através da ressurreição.
b. Jesus confrontou Satanás através da oração, justiça, obediência e libertando os cativos.
c. Com sua maneira de ministrar às pessoas ele estabeleceu um enorme desafio às instituições e estruturas do mundo.
d. Os cristãos compartilham da vitória de Cristo e recebem dele autoridade para se opor aos ataques de Satanás na vitória que temos em Cristo. (4) O modelo de autoridade espiritual é Jesus e sua obediência e submissão a Deus na cruz.

8. Ao mesmo tempo que reconhecemos que Deus está soberanamente no controle de sua criação, as evidências bíblicas indicam uma variedade de causas de doenças e calamidades: Deus, Satanás, escolhas humanas ou traumas e um universo desordenado, são todos citados. Entendemos que não podemos saber com certeza a causa exata de nenhuma doença ou calamidade específica.

9. Os elementos de uma visão de mundo que seja cristã dentro de nossos respectivos contextos culturais devem incluir:

a. Deus é o criador e mantenedor de tudo o que existe, tanto das coisas visíveis quanto das invisíveis. Essa criação inclui os seres humanos e os seres espirituais como criaturas morais.

b. As pessoas foram criadas segundo a imagem de Deus, de modo que os aspectos da pessoa humana estão inseparavelmente interligados. Corpo, alma, emoções e mente não podem ser dissociados.

c. Deus continua sendo soberano sobre toda a sua criação na história, e nada acontece fora do controle supremo de Deus. Assim, o mundo não pode ser concebido como um universo fechado simplesmente governado por leis científicas naturalistas. Nem pode ser considerado um sistema dualista no qual Satanás é entendido como sendo igual a Deus.

d. Nós rejeitamos uma visão dualista de mundo. Portanto, as bênçãos de Deus e o sacerdócio das hostes angelicais, as conseqüências do pecado e os ataques de Satanás e dos demônios não podem ser isolados, colocados unicamente em uma esfera espiritual.

e. Qualquer ensinamento sobre batalha espiritual que nos leve a temer o Diabo a ponto de perdermos nossa confiança na vitória de Cristo sobre ele e no poder soberano de Deus em nos proteger precisa ser rejeitado.

f. Todas as questões que dizem respeito à batalha espiritual devem ser encaradas em primeiro lugar e principalmente em relação à nossa fé e ao nosso relacionamento com Deus, e não simplesmente a técnicas que precisemos dominar.

g. A volta de Cristo e a consumação definitiva da sua vitória sobre Satanás nos dá hoje a confiança necessária para lidar com as dificuldades espirituais e nos fornece a lente através da qual devemos interpretar os eventos no mundo hoje.

10. A pessoa e a obra do Espírito Santo são centrais na batalha espiritual: (5)

a. Ter recebido o poder do Espírito Santo, o exercício dos dons espirituais e a oração são pré-requisitos para se engajar no conflito espiritual.

b. O exercício dos dons espirituais deve ser acompanhado pelo fruto do Espírito.

c. A obra do Espírito e a Palavra precisam permanecer juntas.

continua ...

Fonte: http://www.lausanne.org/pt/all-documents/consultation-statement.html

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Consciência ética-ecológica cristã

Olá Gente!

Este é um artigo denso e com bastante profundidade, o que nos garante informação e reflexão de qualidade para ponderamos nossos conceitos e atitudes frente nossas responsabilidades como filhos do Deus Criador. Um assunto que foi muito bem tratado no Módulo de Meio Ambiente do Curso de Pós-Graduação do Betel Brasileiro, por um chará do autor, o Prof. Marcos Custódio, da ONG A Rocha Brasil, um organização que luta pela conservação ambiental.

Na realidade, se você ler o artigo abaixo, perceberá que se trata de uma introdução, pois o artigo foi originalmente publicado no site das Edições Vida Nova, de forma completa, onde foi dividido em duas partes. Se após a leitura se interessar, basta seguir o link no final.

Abraços

Lauberti Marcondes

TEOLOGIA:
A necessidade de uma consciência ética-ecológica cristã

Por Marcos de Almeida

A dimensão ética da relação entre ser humano e meio ambiente é assunto relevante nestes dias de crise. Qual deve ser nossa posição, como cristãos, frente à destruição do meio ambiente? Em Romanos 8.17 a 25, Paulo nos apresenta a ação de Deus na criação, mostrando o movimento do passado para o futuro, tendo o presente como um processo a ser levado em conta. Nesse contexto, qual é a implicação do tema criação para uma consciência ética-ecológica cristã?

É dever de todos os cristãos refletir não apenas no resgate dos perdidos, mas também nos posicionar diante desse assunto que nos afeta direta e indiretamente, o qual terá repercussões sérias para as futuras gerações. Estar bem informado sobre os dados publicados a respeito da situação de nosso planeta faz parte da responsabilidade de cada cidadão para uma tomada de posição efetiva. Dar de ombros e passar a responsabilidade apenas aos órgãos competentes é o caminho que muitos tomam. Estamos diante de um problema que, independente de raça, cor e religião, interfere diretamente na existência do ser humano. É um problema que diz respeito a todos.

A dimensão ética cristã a respeito da criação poderá oferecer aos cristãos um conjunto de princípios e condutas normativas que pode melhorar os relacionamentos entre o cidadão, a sociedade e o espaço ambiental. Porém, o melhor de tudo isso é a ação poderosa do amor que, em ação, rege e une perfeitamente todas as coisas.

Há inúmeras instituições que se preocupam em destacar a atual situação em que se encontra nosso planeta. Há relatos de esgotamento dos recursos naturais em consequência da destruição do meio ambiente pelo seu colonizador, chamado homem.

É certo que os resultados da ação destruidora do humano sobre a natureza se mostram na vida do próprio homem ou na ausência desta vida. É cada vez mais normal assistir, por meio da mídia, às notícias frequentes sobre o tema abordado neste breve artigo.

O objetivo jamais é radicalizar, partindo de uma visão pessimista. O intuito é refletir sobre a necessidade de um equilíbrio da vida entre o homem e seu meio ambiente, de modo que ambos possam sobreviver numa perspectiva cristã.


terça-feira, 17 de maio de 2011

18 de maio: Marcha em São Paulo contra o abuso sexual de crianças e adolescentes

A CADA 15 SEGUNDOS UMA CRIANÇA OU ADOLESCENTE É ABUSADO SEXUALMENTE
















EM SÃO PAULO, ÁS 18H00 NO VÃO DO MASP TEM GENTE QUE VAI DIZER QUE NÃO CONCORDA COM ESSA SITUAÇÃO, E VOCÊ?

http://www.15segundos.net/

Lauberti Marcondes
http://diaconia-integral.blogspot.com/
Diaconia Integral
Rede de Mobilização e Ação Integral.

terça-feira, 26 de abril de 2011

JUNHO: 16º MUTIRÃO DE ORAÇÃO PELAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Olá Gente!

Já podemos começar nossa mobilização para participarmos JUNTOS do Mutirão de Oração por Crianças e Adolescentes Vulneráveis no começo de junho, a Rede Mãos Dadas já divulgou o tema e os motivos de oração.

Como aconteceu em anos anteriores, teremos uma excelente oportunidade para conscientização sobre a temática infanto-juvenil, trazendo à igreja e à comunidade uma preocupação integral com os pequeninos.

No ano passado fizemos um encontro na Ig. OBPC Jd. Iguatemi, outro na Pentecostal da Bíblia e finalizamos distribuindo um roteiro para que cada um fizesse o 3º encontro em sua respectiva comunidade.

Aqui na zona leste, creio que neste ano, teremos mais parceiros , e talvez, tenhamos que pensar numa estratégia mais abrangente, pois além da Rede Diaconia Integral, teremos a articulação da Rede Social Evangélica da Zona Leste (nome provisório).

Evidentemente é possível participar de outras maneiras, mas eu creio que o melhor são os grupos interdenominacionais formados em regiões ou bairros.

Aqueles que quiserem participar conosco desta mobilização, por favor, entrem em contato.

Abraços
 
Lauberti Marcondes
http://diaconia-integral.blogspot.com
http://www.orkut.com.br/Main#Home.aspx?hl=pt-BR&tab=w0

"Se una aos propósitos de Cristo para uma vida abençoada por Deus"

Vem aí o 16º Mutirão de Oração!

Prepare-se.  Vem aí o 16º Mutirão de Oração pelas Crianças  e Adolescentes Vulneráveis (3, 4 e 5 de junho). A equipe da Rede Mãos Dadas está preparando o material de divulgação e apoio.

O tema deste ano é "Juntos. Ore pelas crianças". Queremos estimular a unidade na oração em favor da infância.  O texto que nos inspira é "Rogo para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti". (João 17.21, NVI).

A seguir, leia um resumo dos temas e dos motivos de oração deste ano:

1. Família e Educação
Vamos orar juntos para que as crianças que vivem sem família ou em famílias frágeis sejam protegidas e cuidadas. Ore também para que mais crianças sejam incluídas nas escolas e que a educação oferecida seja, de fato, de qualidade.

2. Comércio e governo
Vamos orar juntos para que comércios justos prosperem e para que haja retidão nas políticas e legislações governamentais.

3. Mídia, artes e indústria de entretenimento
Vamos orar juntos para que nesta geração tecnológica, as crianças sejam tratadas com dignidade e respeito, e para que a criatividade seja usada para a glória de Deus.

4. Religião
Vamos orar juntos para que igrejas locais sejam expressão do amor de Deus em suas comunidades e que as crianças tornem-se exemplo espiritual e parceiros dos adultos na expansão do Reino de Deus.

5. Exploração sexual na Copa 2014
Com a Copa de Futebol no Brasil em 2014, há um grande risco de aumento da exploração sexual de crianças, especialmente o turismo sexual. Estima-se a vinda de 500 mil turistas. Vamos orar para que os sistemas de exploração sexual sejam derrubados e que as crianças não sejam obrigadas a entregar seus corpos para adultos. Ore também para que campanha Copa 2014, organizada por redes evangélicas, seja bem-sucedida e consiga sensibilizar governos e igrejas.

Em breve, vamos atualizar este hotsite com o contéudo de apoio para você realizar a campanha de 2011. No entanto, você já pode marcar em sua agenda:

3, 4 E 5 DE JUNHO – MUTIRÃO DE ORAÇÃO PELAS CRIANÇAS!

Fonte: www.maosdadas.org



sábado, 16 de abril de 2011

[16/09 RENAS] Missão Integral: Participação Política e Justiça Social

O VI Encontro RENAS

Um Brasil mais justo – com menos desigualdade econômica e social e com mais dignidade humana – tem sido o sonho de muitos. Todavia, entre o sonho e a ação existe um grande fosso. Os que defendem ideologicamente um país melhor a partir, principalmente dos mais pobres, nem sempre criam – ou reclamam – alternativas para isto. Um dos caminhos básicos para se alcançar estes ideais, essencialmente cristãos, é o da participação ao invés da omissão. Tiago declarou: quem sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado (Tg 4.17).

Quem não participa, fica refém dos acontecimentos e das conseqüências das ações e decisões de outros. Quem se envolve e participa está atento aos fatos e faz a hora, não espera as coisas acontecerem.

Vários personagens bíblicos ousaram participar e trabalhar em prol da justiça, na perspectiva do Reino de Deus, o que gerou dignidade e bem-estar para outros. Abraão, Moisés, Ester, Paulo, Dorcas foram agentes do Reino e  – considerando-se as diferenças de contexto – fizeram "missão integral", seguindo a direção de Deus. Um personagem se destaca de maneira singular: José do Egito. Ao invés de se entregar ao próprio infortúnio, José faz uma opção de não omissão. Não se afasta do chamamento divino, antes, participa do projeto de Deus, tornando-se a figura central em seu contexto para produzir justiça e preservar a vida de muita gente que pereceria de fome. Sua participação no projeto de Deus significou a construção de políticas públicas para a promoção da vida e da dignidade humana, a partir de sua família para os povos da terra: um exemplo de diaconia política. "Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; Deus, porém, o intentou para o bem, para fazer o que se vê neste dia, isto é, conservar muita gente com vida" (Gn 50.20).

O VI Encontro Renas, a realizar-se na região do Planalto Central onde se discutem os grandes destinos políticos da nação, vai refletir acerca de nossa participação pública para a promoção da justiça, segundo os fundamentos bíblicos da missão integral da igreja.

Diversas pessoas, organizações e igrejas tem feito muita coisa bonita na prática da Missão Integral de Norte a Sul de nosso país e parte significativa dessas ações são compartilhadas nos encontros da RENAS, de maneira que é uma ótima oportunidade de aprendizagem e inspiração. Você, portanto, é muito bem vindo para este encontro de capacitação, comunhão, participação e serviço em prol da justiça do Reino de Deus.

Clemir Fernandes, Débora Fahur e Welinton Pereira
Coordenação do Grupo Gestor da RENAS

Fonte: http://encontro.renas.org.br/

Ultimas Postagens do Blog Diaconia Integral
Olá Gente! Oportunidade singular para entendermos como algumas igrejas e instituições estão buscando a fidelidade ao Evangelho de Cristo, como instrumentos para se tornarem relevantes em seu meio. Palestrantes confirmados: Ariovaldo Ramos, Ed. Rene Kivitiz e Edméia Williams.
Olá Gente! Hoje é o primeiro dia do movimento de oração e jejum pela geração da janela 4/14, exatamente no período em que o Brasil esta digerindo o massacre que aconteceu na escola do Rio de Janeiro com 12 crianças.
No dia que a Igreja entender essa mensagem será capaz de reconhecer seu papel no mundo, enquanto estamos preocupados com nossas "coisas" outros estão se perdendo... É tempo de ouvir, crer e praticar......
Paz, Há momentos na vida que as respostas que encontramos não são suficientes para aplacar a dor que consome a nossa alma, é o tempo do luto, de chorar com aqueles que choram e deixar a tristeza fazer seu papel...
É inevitável chorar com a morte de uma criança, como também é inevitável não corresponder ao sorriso de uma È inevitável viver sem um dia sofrer, como também é inevitável que Deus ofereça o seu ombro È...
Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social
*Abertas as inscrições para o Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social* Começam nesta segunda-feira (04/04) as inscrições para o Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social 2011,...
Abraços
Lauberti Marcondes
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"Se una aos propósitos de Cristo para uma vida abençoada por Deus"

sábado, 9 de abril de 2011

INÍCIO DAS AULAS PRORROGADO PARA AGOSTO.

Olá Gente!

Muita atenção, alunos e interessados. O Comitê Pedagógico do Curso de Missão Integral se reuniu e decidiu prorrogar o início das aulas para o 2º semestre de 2011.

Isso significa que aqueles que estavam pensando em faver o curso, mas acabram não se matriculando tem mais uma chance neste ano, e aqueles que já haviam tomado esta decisão tem um tempinho extra para pesquisar um pouco os assuntos do curso e já chegar nas aulas com um aproveitamento melhor.

Lembrem-se, alguns artigos, matérias e comentários do curso estão postados neste blog, com direito a links para o aprofundamento.

Qualquer dúvida, favor entrar em contato com a Secretaria do Betel Brasileiro.

Abraços

Lauberti Marcondes

segunda-feira, 28 de março de 2011

RENAS: Campanha contra turismo sexual de crianças na Copa 2014

Redes e organizações evangélicas lançam campanha contra turismo sexual de crianças na Copa 2014

“Um gol pelos direitos de crianças e adolescentes: exploração sexual não é um jogo. Denuncie!”


Junto com a alegria do futebol, a Copa do Mundo de Futebol em 2014 no Brasil pode trazer mais violência contra crianças e adolescentes. Além do esporte, o turismo sexual é um grande atrativo para quem vem de fora do país. Segundo o Governo Federal, estima-se a vinda de 500 mil turistas na época da Copa, o que corresponde a 10% do total que o país recebe em um ano. Em um levantamento da Secretaria e Direitos Humanos da Presidência da República, de janeiro a setembro de 2010 foram registradas 698 denúncias de exploração sexual infantil nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 e em João Pessoa (esta cidade foi incluída na pesquisa porque é considerada cidade-dormitório, devido à proximidade com Recife e Natal).

Para denunciar e lutar contra esta realidade, redes e organizações evangélicas iniciam a Campanha de Enfrentamento ao Turismo Sexual da Criança e do Adolescente na Copa 2014. O pré-lançamento*, com o objetivo de firmar alianças estratégicas será no próximo dia 22 (terça-feira), às 18h30, em São Paulo. Liderada pela Rede Evangélica nacional de Ação Social (RENAS), a campanha já começa, no dia 18 de maio (Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração contra Crianças e Adolescentes) com a Marcha contra a Exploração Sexual da Criança e do Adolescente. O projeto pretende unificar outras campanhas evangélicas já existentes em favor da infância, como: o Mutirão de Oração pelas Crianças em Risco e a Campanha de Vacinação contra os Maus-tratos de Crianças.

A Campanha Copa 2014 tem como slogan “Um gol pelos direitos de crianças e adolescentes: exploração sexual não é um jogo. Denuncie!” e está estruturada em torno de 12 comitês de trabalho, um em cada cidade-sede da Copa do Mundo. O dos maiores desafios é envolver igrejas locais, escolas, universidades, grupos, redes, ONGS e conselhos de defesa dos direitos da criança e do adolescente, órgãos de comunicação, e organizações governamentais, com o objetivo de desenvolver ações estratégicas de prevenção ao turismo sexual de crianças e adolescentes, para atuar em áreas críticas onde haverá jogos da Copa em 2014.


sábado, 12 de março de 2011

18/03 - Fundamentação Teológica da Missão Integral - Convite para Aula Inaugural

Olá, tudo bem?

Sexta-feira (18/03) às 19h15, acontecerá a Aula Inaugural do Curso de Missão Integral e Gestão de Programas Sociais do Seminário Betel Brasileiro com o Prof° Marcelo da Silva Cruz, coordenador do Projeto CAF - Casa de Assistência Filadélfia.

Bacharel em Teologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Pós-Graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Mestre em Teologia pela Escola Superior de Teologia da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (EST/IECLB), São Leopoldo - RS.




O Curso de Missão Integral


As instituições, Seminário Betel Brasileiro (São Paulo e João Pessoa), Visão Mundial, Associação Educacional e Beneficente Vale da Benção e Rede Evangélica Nacional de Ação Social - RENAS, conscientes da necessidade da Igreja Brasileira diante do desafio do cumprimento da Missão, promovem o curso de Especialização em Missão Integral e Gestão de Programas Sociais, com o objetivo de possibilitar a formação de pessoal qualificado para o trabalho social e ministerial, oferecendo ao aluno um ambiente onde o ensino teórico esteja inteiramente vinculado a prática.

O curso é aberto a igrejas, organizações sociais, escolas teológicas, pastores, seminaristas, técnicos e educadores que atuam em igreja local ou Ongs, e pessoas interessadas na área de ação social e ministerial.

Este "convite" serve para você participar da Aula Inaugural e se interar mais.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O MEIO AMBIENTE E O PAPEL DO CRISTIANISMO COMO AGENTE DE MUDANÇA

Através do artigo ECONOMIA SOLIDÁRIA, MEIO AMBIENTE E O PAPEL DO CRISTIANISMO COMO AGENTE DE MUDANÇA, Paulo Brito trata dos males da sociedade de consumo, como viés negativo do progresso e da modernidade, que gerou uma cultura enraizada em valores individualistas, mesquinhos, violentos, e portanto, insustentáveis e dos princípios bíblicos que se aplicados poderiam gerar mudanças positivas para o Meio Ambiente.

É um texto que trata da evolução do conceito de Desenvolvimento Sustentável. Nele econtramos três tipos básicos de usuários deste conceito: os otimistas, os pessimistas e os não dogmáticos.

Sendo que os não dogmáticos são aqueles que podem se associar com os valores cristãos, e seus valores morais e éticos poderiam ser usados para a contrução da mudança de atitude do ser humano e da coletividade, apesar de estarem um pouco esquecidos nos discursos evangélicos.

Os princípios bíblicos de pensamento altruista, perpectiva eterna e mordomia, poderiam contribuir para a efetividade da sustentabilidade do nosso planeta, junto com os conceitos de Economia Solidária e Consumo Responsável.

Paulo Roberto Brito, economista, mestre em Ciência Ambiental, diretor de a Rocha Brasil e membro da Igreja Evangélica Assembléia de Deus Betesda, em São Paulo.

Livro: Missão Integral: Ecologia & Sociedade, W4 Editora – São Paulo, 2006.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A IGREJA E O DESENVOLVIMENTO INTEGRAL DA SOCIEDADE

Ao ler a apresentação abaixo do relatório da CEPAL, que trata das desigualdades que o Brasil precisa superar e de algumas perguntas ainda sem respostas satisfatórias, lembrei-me dos livros Revolução Silenciosa I e II, organizados por Rubens Muzio da Sepal, pois eles nos convidam a entender os impactos do evangelho nas mudanças espirituais e sociais das cidades, através de uma pesquisa feita na cidade de Londrina – PR. Algo que as aulas de Política Social Brasileira, Articulação de Políticas Públicas e Desenvolvimento Comunitário do Curso de Missão Integral ajudou a compreender melhor.

Enfim, leia o texto a seguir e reflita se de fato não precisamos nos engajar mais nas questões estruturais de nossas cidades e do nosso País, para não ficarmos preocupados apenas com o peixinho que morre de fome no aquário enquanto a casa toda pega fogo.

Abraços

Lauberti Marcondes


Perguntas sem respostas

O recente relatório da Comissão Econômica para a América Latina – Cepal, das Nações Unidas, chamado PANORAMA SOCIAL DA AMÉRICA LATINA 2010 traz alguns dados que merecem atenção.
Segundo a Cepal, um terço da população da América Latina vive com menos de dois dólares por dia. São 185 milhões de pessoas, o Brasil contribui com 49 milhões para esta soma. E, neste ano, na América Latina, mais 3 milhões de pessoas tornaram-se pobres. A crise internacional acentua a lógica de um modelo que produz a exclusão.
Contudo, um olhar em perspectiva vai nos dizer que, mesmo com esses números, a pobreza vem diminuindo na América Latina. O que é verdade, ainda que a desigualdade permaneça intocada em muitos destes países. Mas se pudermos observar os esforços e os resultados de diferentes países da região e os compararmos com os do Brasil, vamos ver que da nossa parte muito ainda precisa ser feito. 
É interessante lançar um olhar em torno. Ter alguns elementos de comparação. Não há dúvida de que cada país tem a sua história e ela constrói de uma maneira toda particular a trama de relações sociais e políticas que definem um patamar de direitos. Assim foi com o peronismo, na Argentina; com o getulismo, no Brasil; está sendo com o bolivarianismo, na Venezuela. Não são países homogêneos, mas todos, na atualidade, estão definindo suas políticas de combate à pobreza. Há países muito pobres, outros de médio porte, e o Brasil, que está entre as maiores economias do mundo.
Na última década, em quase todo o continente, como política de combate à pobreza, os governos intensificaram transferências de renda para os mais pobres. Políticas focalizadas que definiam a amplitude de sua clientela em função dos recursos disponíveis. O que chama a atenção é a diferença do que se pode chamar de "recursos disponíveis", já que eles sempre são uma decisão de alocação entre os países do continente. 
Seria de se esperar que o Brasil, como o país mais rico da região, dedicasse mais recursos para o combate à pobreza. Mas não é o que acontece. Segundo a Cepal, o Brasil gasta 0,58 do PIB em transferências de renda para os mais pobres, a Argentina gasta 0,70, o Paraguai 0,92, a Guatemala 3,0. Como explicar tal diferença de recursos empregados no combate à miséria entre diferentes países da América Latina?
Ou como avaliar as razões pelas quais os resultados de cada país no combate à pobreza sejam tão diferentes?  Entre 2008 e 2009, enquanto o Brasil, o Peru, o Paraguai e o Panamá reduziram sua taxa de pobreza entre 0,9 e 2,2%, o Uruguai (área urbana) e a República Dominicana reduziram suas taxas de pobreza em mais de 3%. Os dados de 2009 também registram uma pequena queda da indigência no Brasil e mostram uma redução mais significativa na Colômbia, Panamá, Peru, República Dominicana e no Uruguai.
Um outro indicador importante é a capacidade de consumo da população. E o salário mínimo é o que se pode chamar de piso para uma vida decente, a referência para esse patamar mínimo de consumo. Ele é importante também porque é referência para determinar o valor das aposentadorias.
Com base num cálculo de paridade de poder de compra em dólares, a Organização Internacional do Trabalho identifica um salário mínimo no Brasil de US$ 286,00. Na Argentina, ele é de US$ 896,00; no Paraguai, de US$ 559,00; no Equador, de US$ 490,00; na Venezuela, de US$ 481,001. Ou seja, com o salário mínimo da Argentina, o trabalhador brasileiro compra três vezes mais do que permite o seu próprio salário mínimo. Por que esta disparidade de poder de compra?
Se tomarmos ainda como referência o Índice de Desenvolvimento Humano de 2010, das Nações Unidas, os dados divulgados recentemente identificam que o IDH do Brasil é de 0,699, o que o coloca no 73º lugar entre 169 países pesquisados, bem abaixo de países como Chile (45º), Argentina (46º), Uruguai (52º), México (56º) e Peru (63º), entre outros.
Por que o Brasil não é capaz de oferecer melhores condições de vida para sua população?
Silvio Caccia Bava é editor de Le Monde Diplomatique Brasil e coordenador geral do Instituto Pólis.
1 FSP, 08/01/2011. "Mínimo é um dos piores do continente".
Para baixar o relatório PANORAMA SOCIAL DA AMÉRICA LATINA 2010, acesse:

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

26/02: Seminário de Missão Integral com Ariovaldo Ramos, Ed René Kivitz e Don Richardson


Olá Gente!

Agora, dia 26 de fevereiro, começam os Seminários de Missão Integral com Ariovaldo Ramos, Ed Rene Kivitz e convidados na IBAB. 

Neste primeiro encontro, o convidado especial é o Missiólogo DON RICHARDSON e o tema é: UMA IGREJA RELEVANTE PARA MISSÕES.

Haverá mais 09 Seminários em 2011, contando com convidados, tais como: Marina Silva, Paulo Solonca, Ricardo Bitun, Carlos Queiroz, Ricardo Agreste, Ricardo Barbosa, Antonio Carlos Costa, Edméia Willians, Marcos Botelho, Fabricio Cunha entre outros... 

Palestrantes Internacionais: Harold Segura, Viv Grigg, René Padilla, Don Richardson, Elisa Padilla e Eugene Peterson (este último aguardando confirmação)

O Seminário Presencial é Gratuito.

IBAB - Igreja Batista da Água Branca
Rua Robert Bosch, 116 - Barra Funda - CEP 01141-010 - São Paulo - SP - Telefone: (11) 3618.3030
Data: 26/02/2011Horário: 10h00 as 15h00


Abraços

Lauberti Marcondes

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Professores vencedores do concurso "Aprender e Ensinar -Tecnologias Sociais" estão participando do Fórum Social Mundial

Olá Gente!
 
Algumas dessas tecnologias socias parecem ser bem simples, mas seus resultados são profundos, acho que vale a pena pesquisar mais.
 
Abraços 
 
Vencedores do Concurso Aprender e Ensinar Tecnologias Sociais apresentam seus projetos no FSM do Senegal
por Revista Fórum
 
Os cinco professores vencedores do concurso realizado pela Revista Fórum e a Fundação Banco Brasil - Aprender e Ensinar -Tecnologias Sociais - estão em Dacar, no Senegal, participando do Fórum Social Mundial. Eles trazem à África a experiência de seus projetos que utilizam tecnologia social na educação. As iniciativas premiadas foram selecionadas no Concurso que recebeu cerca de 3.200 inscrições de todo o País.

Na tarde desta segunda-feira, 7, os educadores apresentaram seus projetos, despertando curiosidade e interesse. Vencedora pela região norte, Cristina de Melo, da Escola São Bendito, desenvolve um projeto de resgate da identidade cultural com os estudantes da Ilha de Marajó (PA). "Trata-se de um registro da memória cultural através da oralidade e contação de histórias", disse. Com o projeto, os alunos buscavam com as pessoas mais idosas da região, as tradições locais. Com isso, lendas, cantigas e rimas marajoaras foram resgatadas e agora o objetivo e transformar o material em um livro.

Pela região sul, a professora de geografia Inês Lourenço Augusto, do Colégio Estadual Tiradentes, trouxe ao Senegal o projeto "Cada nascimento, uma árvore", realizado em Uruarama (PR). A ideia é simples, mas para executá-la são necessárias parcerias. Como o nome diz, quando nasce uma criança na cidade, os pais recebem de presente uma muda, com um cartão orientando que ela seja plantada. Há indicação de praças e lugares públicos onde isso pode ser feito para quem mora em apartamento e quem vive em casa pode usar o quintal. Trata-se de um projeto multidisciplinar. Os alunos produzem as mudas na aula da ciência, poemas, na de português, a embalagem e cartão, na de artes.

O professor José Siqueira, de Vera Cruz (RN), vencedor pelo nordeste, explicou o seu projeto que utiliza o resíduo da mandioca, a manipueira. Principal atividade econômica do agreste, esse resíduo estava causando danos ambientais à região. A idéia foi reaproveitar o resíduo, um líquido amarelo de aspecto leitoso. Com o projeto, ele é agora utilizado como fertilizante. "os alunos foram agentes dentro do processo", explicou o professor, que leciona na Escola Municipal Filomena Curcio Cabral.

Já a carioca Marilúcia Ferreria da Silva, do Pólo de Educação pelo Trabalho Fernando de Azevedo, desenvolveu com seus alunos o projeto Banco Verde - Bazar Verde. Os estudantes trocam materiais recicláveis por uma moeda verde. Com a venda dos resíduos, a verba arrecadada é utilizada para incrementar o bazar, que só aceita a moeda verde. Parte dos recicláveis é usada na oficina de artesanato. Segundo a educadora, foi possível mudar a relação dos alunos com o lixo, que pode ser uma matéria-prima.

No maior assentamento da América latina, a professora Rosemeire da Silva, da Escola Estadual Prof. Carlos Pereira da Silva e vencedora da região centro-oeste, contou a experiência que levou a agroecologia para a escola. Com a parceria da Embrapa, foi criado uma espécie de laboratório a serviço da comunidade desse tipo de agricultura, que descarta o uso de agrotóxicos. Muitas famílias já reproduzem o sistema em suas terras. Para Rosemeire, esse é o papel da escola: se envolver com a comunidade.

Multiplicar boas práticas

"Levar a tecnologia social para dentro da escola é uma das melhores formas de disseminar seu conceito", sustentou Jorge Streit, presidente da Fundação Banco do Brasil. A instituição tem um importante trabalho de apoio ao uso de tecnologias sociais, com o financiamento de projetos. O PAIS (Projeto Produção Agroecológica Integrada Sustentável) é um deles. No FSM, a Fundação construiu um PAIS para apresentar essa tecnologia social aos participantes do Fórum, em especial aos das organizações africanas. Foi ao lado do PAIS, numa roda com pessoas sentadas em troncos à sombra de uma arvore, que aconteceu a conversa entre os professores brasileiros e os participantes do Fórum. Uma das participantes resumiu a atividade da seguinte forma: "Foi uma atividade linda, completamente freiriana e no melhor espírito do Fórum".

Essa foi a segunda edição do Concurso Aprender e Ensinar - Tecnologias Sociais. Na primeira edição, cinco professores participaram do FSM de Belém (PA), em 2009. Para o próximo ano, o objetivo é disseminar ainda mais o Concurso. "Queremos disseminar o uso de tecnologia social porque assim vamos ajudar a desenvolver de forma sustentável o nosso País", ressaltou o diretor da FBB Eder Melo. "Temos agora uma construção com o Banco do Brasil no sentido de ampliar o próximo prêmio, com a ajuda das prefeituras", disse.

Fonte: Fundação Banco do Brasil

www.fbb.org.br



 

 

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

09 E 10/02 - TEOLOGIA PRÁTICA E O PAPEL DA IGREJA NO SÉCULO XXI

Olá Gente!

De 07 a 10 de fevereiro acontecerá a Semana Teológica do Seminário Evangélico do Betel Brasileiro em São Paulo. Nestes dias as paletras são abertas para alunos, ex-alunos, pastores, líderes e visitantes em geral.

Todos os interessados em conhecer o Curso de Missão Integral estão convidados para aproveitar esta semana, especialmente os dias 09 e 10/02 com as palestras de Marcelo da Silva Cruz sobre O Papel da Igreja no séc XXI.

Abraços

Lauberti Marcondes

SEMANA TEOLÓGICA DE 07 A 10 DE FEVEREIRO

Tema: O LÍDER DIANTE DOS DESAFIOS DO SEC. XXI
Uma leitura do contexto Bíblico, da Igreja Global e da cultura do nosso tempo


Data: 07 de Fevereiro às 19:15h
Preletor: Josué Campanhã - Presidente da Sepal - Escritor - Conferencista

Bacharel em teologia (Faculdade Teológica Batista de São Paulo) e bacharel em administração de empresas (PUCCAMP - Pontifícia Universidade Católica de Campinas). Tem mestrado em liderança pela Unisa Business School. É bacharel em educação religiosa (Seminário Teológico Batista do Espírito Santo) e bacharel em pedagogia (Unisa - Universidade Santo Amaro).

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Data: 08 de Fevereiro às 19:15h
Preletor: Cristiano Camilo Lopes - Pastor - Professor - Conferencista

Bacharel em Teologia - Seminário Teológico Evangélico do Betel Brasileiro e Universidade Presbiteriana Mackenzie. Licenciatura em Letras - Universidade de Santana (Unisantana). Mestre em Letras. FFLCH - USP. Doutorando em Letras. FFLCH - USP.
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Tema: TEOLOGIA PRÁTICA E O PAPEL SOCIAL DA IGREJA NO SÉC XXI.
Data: 09 e 10 de Fevereiro às 19:15h


Preletor: Marcelo da Silva Cruz - Coordenador de Projeto - CAF.

Bacharel em Teologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Pós-Graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Mestre em Teologia pela Escola Superior de Teologia da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (EST/IECLB), São Leopoldo - RS.
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Turma da manhã
Data: 07 de Fevereiro às 09:00h

Preletor: Jonas Madureira - Professor, Pastor, Escritor e conferencista

Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Evangélico do Betel Brasileiro em São Paulo; bacharel, mestre e doutorando em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Professor Titular de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea e Filosofia do Seminário Teológico Evangélico do Betel Brasileiro e do Seminário Teológico Bethesda. Autor do livro "Filosofia" do Curso Vida Nova de Teologia Básica publicado por Edições Vida Nova. Em 2005, recebeu da PUC-SP a premiação de Menção Honrosa, na área de Filosofia, pelo estudo que apresentou sobre a doutrina do conhecimento negativo de Deus em Tomás de Aquino.

NÃO PERCAM!!!

Miss. Durvalina Bezerra
Diretora do Betel Brasileiro
http://www.betelbrasileiro.com.br/
Rua São Bento, 545 1° Sobreloja CEP: 01011-100 - Centro
Próximo a saída do Metro São Bento.

sábado, 29 de janeiro de 2011

As catastrofes no Rio de Janeiro, o sofrimento e a Soberania de Deus

Olá tudo, bem?

As vezes, nem sempre a resposta é positiva como alguns querem nos fazer acreditar, pois o sofrimento faz parte da vida. Nesta hora, dúvidas, questionamentos, desesperança, angustia, medo, compaixão, indignação, entre outros sentimentos dominam nossas vidas.

Neste interessante artigo de Maurício Andrade algumas dessas questões são refletidas a luz da Soberania de Deus.

Abraços
Lauberti Marcondes
http://diaconia-integral.blogspot.com/


Teologia de Sofrimento

Mauricio Andrade
Paraíba, 28/01/2011


"Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas." Isaías 45.7


Moro no estado do Rio de Janeiro e, com tristeza, vemos mais uma vez, no início deste ano – como aconteceu no passado em outras regiões do estado – a morte de centenas de pessoas em função das chuvas, comuns nessa época do ano.

As causas da tragédia, no entanto, não podem ser circunscritas à precipitação das águas. A ausência do Poder Público, a obstinação de alguns moradores, a pobreza, a corrupção, etc, podem ser discutidas, analisadas e investigadas na esperança – às vezes muito fraca, mas sempre insistente – de que tudo isso não se repita futuramente. E cristãos devem participar ativamente de todo esse processo.

Mas minha intenção hoje é levantar a questão das modificações teológicas que tendem a acontecer formalmente – no meio acadêmico e pastoral, e informalmente – entre os crentes, membros das igrejas. O ponto em questão é a forma como o contato com o sofrimento, pode produzir em nós uma hermenêutica idólatra e desembocar, necessariamente, numa Teologia de Sofrimento, não fundamentada na Revelação, nas Escrituras, mas na contundência da experiência humana.

As teologias relacionais são um exemplo disso, como o Teísmo Aberto; mas não quero olhar para essas teologias em si, e sim para seu ponto de partida.

Uma hermenêutica idólatra é aquela que nos projeta sobre o texto bíblico. Seu resultado principal é uma deformação do caráter de Deus e do Evangelho.

Tendem a surgir como consequência de uma experiência dramática somada a uma re-leitura da Escritura, agora orientada pela tal experiência. Mas, em um nível não acadêmico, são formuladas nos bancos das igrejas quando crentes que não recebem boa instrução bíblica constroem, em seus enfrentamentos diários, conceitos e imagens de Deus, do Evangelho e do mundo, que se afastam da doutrina e do ensino que a igreja tem, tradicionalmente, mantido – principalmente em sua vertente reformada.

Essa hermenêutica é idólatra porque afirma nossa superioridade sobre a Revelação, de modo que deixamos de ter boa vontade com o texto bíblico e o sujeitamos a uma interpretação que assegure, não somente aceitação racional, mas também conforto emocional – ainda que este último se baseie numa falsa segurança.

O texto que encabeça este post nos dá boa oportunidade de investigar essa questão. Seu contexto, no livro do profeta Isaías, é o de uma advertência severa contra a idolatria. A idolatria não começa quando alguém forja uma imagem de escultura e se curva diante dela. Essa é, tão somente, sua expressão gráfica, estética, ritualística.

A idolatria tem início no exato momento em que voltamos nossos olhos de Deus para nós mesmos. E, acredite, nosso primeiro ídolo é sempre aquele cuja imagem vemos no espelho. Toda expressão de idolatria, seja ela religiosa, filosófica ou social, tem como base nossa auto-adoração.

Daí, o processo continua num ciclo de auto-engano e, frequentemente se projeta para fora de nós. Uma leitura de Isaías 44.12-20 nos assegura desse fato. Fomos criados para adorar a Deus; nosso coração tem essa constituição.

O pecado quebra essa orientação original e, não encontrando o Criador, nosso coração se volta, necessariamente, para alguma parte da Criação – começando por nós mesmos. Isso deturpa toda a nossa apreensão da realidade e nos cega para o fato de que não podemos confiar em nossas capacidades quando se trata de determinar verdade e mentira (Is 44.20).

E o problema não é que não saibamos algo da verdade, mas que somos, por natureza – depois da Queda – deturpadores da verdade (Rm 1.18-23 e 25).

Isso tudo, por si só, já é um problema enorme, além de ser essa a condição em que todos nascemos.

Mas quando essa característica do ser humano decaído parece ressurgir no pecador redimido estamos, realmente, numa situação ruim. Assim, quando teólogos e formadores de opinião no meio evangélico, em virtude de catástrofes e do sofrimento humano começam a pensar a Bíblia a partir do impacto que tais eventos têm sobre eles, ficamos à mercê da subjetividade, das circunstâncias e da possibilidade de, mais adiante, mudarmos outra vez nossas convicções quando novos eventos ocorrerem.

O dano não é menor quando tal processo de dá nos bancos das igrejas, com cristãos dizendo como Deus deve ser e agir – ao invés de aceitarem o testemunho que Deus dá se si mesmo. O pior estrago é que roubamos a glória do Criador: terminamos com um Deus impotente, uma Escritura não confiável e um Evangelho que não salva! Anulamos a graça e nos tornamos inúteis (Rm 1.21)!

É uma necessidade urgente que rejeitemos a tentação de fazer teologia a partir do sofrimento humano e retornemos às Escrituras como ponto de partida para o pensar e viver cristãos. E urge que ensinemos os membros de nossa igreja a lerem a Palavra tendo Cristo como referencial maior.

Compreendo que é sempre muito difícil tratar de qualquer questão quando sentimentos estão envolvidos. Lembro-me quando uma senhora, durante o estudo da Escola Dominical, perguntou-me se seu pai havia sido salvo. Ele nunca dera crédito ao Evangelho e havia falecido após um tempo de internação hospitalar no qual perdera a capacidade de interagir – embora parecesse entender o que se lhe dizia. Ela lhe falou outra vez do Evangelho mas não podia obter dele nenhuma resposta. “Pastor, meu pai foi para o céu ou para o inferno?”

Quando milhares de pessoas morrem por causa de um tsunami, ou centenas por causa da chuva, as questões sobre o caráter de Deus, sua justiça, bondade e onipotência logo vêm à mente. A tentação de se buscar respostas que nos satisfaçam e nos confortem o mais rapidamente possível é muito grande.

Assim como produzir uma apresentação do Evangelho que seja mais palatável a homens e mulheres que estão em meio ao sofrimento e/ou confusos por causa dele. Mas essa é uma segurança falsa. É fruto da idolatria e não da fé. Não pode nem consolar nem fortalecer os necessitados.

Quando leio Isaías 45.7 fico confortado! Não são as circunstâncias que controlam minha vida. Não são os pecadores – por mais poderosos que sejam – que determinam meu destino. Não é o diabo que fez ou deixou de fazer isso ou aquilo. É o meu Deus, meu Criador e Salvador que está no controle de tudo. João Calvino diz, nas Institutas, que quando a terra produz boa colheita, creditamos a Deus e o louvamos por isso; quando, porém, vem a seca e a produção falha, creditamos o destino ou forças naturais.

Mas quem tem o controle de todas as coisas, sejam boas ou más? É muito bom saber que Aquele que é justo e bom, santo e gracioso, é quem domina sobre tudo e sobre minha vida. Não preciso mudar a doutrina para tentar ter uns poucos grãos de tranquilidade.

Eu já tenho tudo de que preciso na Revelação que ele deu de si mesmo e do mundo, nas Escrituras. É essa a fonte básica e determinante de todo o pensar teológico – e à qual sujeitamos, alegremente, toda experiência, intuição e imaginação!

Blog Fiel



sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

MARINA SILVA FALA NA CAMPUS PARTY SOBRE O PAPEL DA WEB NA ELEIÇÃO 2010

A senadora Marina Silva (PV-AC) em apresentação na tarde desta terça-feira (18) falou aos campuseiros da Campus Party (CP) sobre o papel da web na sua campanha presidencial em 2010. Marina voltou ao Centro de Exposições Imigrantes um ano depois de ter passado por seu “batismo digital”.

Ao lado de Caio Túlio Costa, estrategista de mídias digitais durante a campanha presidencial da senadora, Marina iniciou a fala lembrando da desvantagem que tinha no tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão em relação a José Serra e Dilma Rousseff. Essa desvantagem, segundo a ex-candidata do PV, também se refletia nos recursos financeiros, o que levou a uma exploração efetiva da Internet.

“Fizemos a opção por uma interação viva com as pessoas, não que as mídias sociais fossem espaços apenas para falar, para fazer propaganda, mas para ter um diálogo de verdade”, diz a ex-candidata. Marina afirmou que, no Twitter, por exemplo, nunca terceirizou sua fala nas manifestações que fez e faz no microblog. Todas as mensagens são de sua autoria. Obviamente, contava com apoio operacional para à divulgação das ideias.

Caio Túlio Costa afirmou que o que diferenciou a campanha de Marina nas redes sociais foi a existência de uma causa, a ambiental, muito comum aos jovens, que estão fortemente presentes nestes espaços colaborativos.

Durante o evento Marina alcançou o topo dos Trending Topics brasileiros e chegou ao quinto lugar na lista dos assuntos mais comentados no Twitter no mundo inteiro.


FONTE: http://www.minhamarina.org.br/blog/2011/01/marina-fala-na-campus-party-sobre-o-papel-da-web-na-eleicao-2010/

Nova Turma para o Curso de Missão Integral e Gestão de Programas Sociais

Prezados amigos,

" ...porque , em tudo, fostes enriquecidos nele, em toda a palavra e em todo conhecimento" ( I Co. 1.5).

Informamos que a nova turma para o Curso de Especialização em Missão Integral e Gestão de Programas Sociais já esta sendo formada.

Você que deseja adquirir uma ferramenta qualificada para o trabalho Ministerial e Social não pode perder esta oportunidade.

Este curso oferece disciplinas inéditas como você pode ver em nosso folder em anexo ou pelo site do Seminário: http://www.betelbrasileiro.com.br/
Matrículas realizadas até o dia 04/02/2011 terão desconto especial + brinde.
Matrículas realizadas até o dia 25/02/2011 terão desconto especial.

Inicio do Curso data : 18/03/2011 - sexta –feira
Horário : 19:00 hs.

Local: Seminário Teológico Evangélico Betel Brasileiro
Rua São Bento, 545 – 1º sobreloja

Juntos pela causa do Reino de Deus.

Miss. Durvalina Bezerra.

Comitê Organizador

Maiores informações,

Ana Paula
(11) 3105-5845/ 3105-5552
Rua São Bento, 545 – 1º sobreloja



COMITÊ ORGANIZADOR E PEDAGÓGICO






sábado, 8 de janeiro de 2011

16 de dezembro: Um dia marcante para Missão integral

Apesar da chuva, do atraso e dos infindáveis discursos...foi linda a formatura.


todos comportadinhos...subindo para a tribuna







acompanham os discursos atentos...


até porque o Pr. Carlos representou com toda dignidade a turma de Missão Integral



foi de fato comovente




domingo, 19 de dezembro de 2010

Reflexão sobre Missão Integral com Ricardo Quadros Gouvêa

Missão Integral: Um Convite à Reflexão PDF Imprimir E-mail
Escrito por Ricardo Quadros Gouvêa   
I. Palavras Introdutórias


Muito já se escreveu sobre missão integral. Os livros recentemente lançados sobre o assunto, o de René Padilla e o de Ricardo Gondim, perfazem juntos uma boa síntese do que se entendeu teologicamente até hoje por missão integral e os problemas desse construto teórico, bem como de sua aplicabilidade na vida das igrejas evangélicas e dos movimentos evangélico e/ou evangelical.

Teremos em breve encontros em que debateremos estas obras com seus autores. Sendo assim, o que propomos para hoje? Proponho um exercício de reflexão teológica conjunta a partir de um texto que servirá meramente como ponto-de-partida, que não se pretende original ou inovador, mas sim esclarecedor.

Não sei, entretanto, se eu entendo bem o que quer dizer “missão integral” ou o que é a “teologia da missão integral”. Vejo discursos e práticas desalinhadas sob esse mesmo rótulo, e fico com a sensação de que há desinformação e dissonância cognitiva, o que pode e deve ser resolvido, além de uma salutar discordância e variação nuançada, o que é positivo, mas convida ao diálogo.

Este texto busca, portanto, ainda que modestamente, auxiliar na caminhada em direção a uma resposta acerca do significado do construto teórico teológico “missão integral”, tão importante na história da Fraternidade Teológica Latino-Americana.

Estou convencido que há dois estudos propedêuticos que se fazem necessários antes que exploremos o conceito de missão integral propriamente, tentando uma aproximação mais acurada de definição ou de identificação. Passo agora, portanto, a essas duas excursões breves em teologia filosófica ou teologia cultural ou ainda teologia apologética, como se dizia antigamente. Estas duas excursões lidam com as relações entre evangelho e cultura, primeiro e, depois, entre evangelho e política.


II. Evangelho, Cultura e Política: Duas Excursões Teóricas


1.      Evangelho e Cultura

Esta sempre foi uma relação de grande tensão na história do cristianismo. Hoje compreendemos que não poderia deixar de ser. Evangelho e cultura se distinguem, mas não é fácil distingui-los. O Evangelho não existe a não ser enculturado, isto é, contextualizado. Há quem queira separar o Evangelho da cultura, mas isso nunca existiu, e não pode ser feito. É da natureza do Evangelho ser cultural. O Evangelho já nasce inserido numa cultura, a cultura judaica, mas não se confunde com ela. Esta é a tensão infinitamente elástica que nos causa tantos transtornos: o Evangelho não é a cultura, nem mesmo a cultura judaica, mas só existe imiscuído e misturado com a cultura, de tal forma que não é possível extraí-lo e limpá-lo da cultura sem causar dano à natureza intrínseca do Evangelho e também à cultura. Se tentarmos distinguir cultura de Evangelho, fica um pouco de cultura, perde-se um pouco de Evangelho, e não se obtém um bom resultado.

A primeira transposição cultural sofrida pelo Evangelho foi para a cultura helenista dos tempos da chamada igreja primitiva. Essa transposição foi feita com razoável sucesso, mas não sem fortes traumas. É uma transposição que começa com Paulo, e é, portanto, sancionada pelo próprio Evangelho, pelas Escrituras Sagradas. Mas o Novo Testamento também já dá testemunho dos traumas e aflições causados pela transposição. O relativo sucesso do empreendimento deve nos fazer perceber as tremendas transformações sofridas pelo Evangelho no mundo helenista, e, em particular, a leitura de tendências neoplatônicas e semi-gnósticas que acabaram por preponderar no período patrístico, e acabaram por servir de base para a construção da teologia.

Uma segunda transposição acontece no período medieval, e posteriormente no período moderno, e sempre sofreu o Evangelho transformações, assim como transformou as culturas. Com o surgimento das nações-estado modernas, e com o crescimento econômico e populacional advindo das revoluções científica e industrial, surge um grande número de culturas ocidentais distintas promovendo novas tensões com o Evangelho herdado, e o trabalho missionário leva o Evangelho para culturas não-européias, que iriam absorver o evangelho misturado à cultura dos próprios missionários.

Os missionários das igrejas protestantes históricas trouxeram ao Brasil um Evangelho marcado pelos traços culturais de onde eles haviam partido. Foi só no século XX que a relação Evangelho e cultura passou a ser mais estudada e compreendida. Começou-se a perceber a enorme complexidade do processo enculturação do Evangelho, e se começou a falr, no fim do século XX, em contextualização.

O grande cientista da religião Helmut Richard Niebuhr, irmão do célebre teólogo Reinhold Niebuhr, foi um dos pioneiros nesse estudo, com o clássico Cristo e Cultura, onde distingue cinco diferentes possibilidades compreensão do relacionamento entre Evangelho e Cultura, que ele denomina: (i) Cristo contra a cultura; (ii) Cristo da Cultura; (iii) Cristo acima da cultura; (iv) Cristo e Cultura em Paradoxo; e (v) Cristo transformador da cultura. Niebuhr nos mostra como todos os cinco “tipos” (“tipos ideais”, como ele diz) foram praticados e implicitamente ensinados através dos tempos. No entanto, sugere que os primeiros dois são enganosos, distorções, o primeiro pela rejeição da cultura, e o segundo pela sua adoção não criteriosa ou sem qualificações necessárias. Eles representariam, grosso modo, os pólos fundamentalista e liberal. Os três outros tipos estariam, segundo o autor, mais de acordo com aquilo que o Novo Testamento propõe, o terceiro representando a posição tomista, o quarto a posição existencial-dialética, e o quinto a visão mais comum na teologia contemporânea.

Ao que me parece, a teologia da missão integral se propõe partidária, acima de tudo, da quinta possibilidade, de ver Cristo como transformador da cultura, sem negar a importância e o valor da cultura, como no caso principalmente do primeiro tipo niebuhriano, mas também do terceiro, típico do mundo evangélico conservador (que é em grande grau tomista sem saber disso). Trata-se, portanto, de trazer o Evangelho à cultura para redimi-la, não para alterá-la. Isso está de acordo com o que dissemos a princípio: o Evangelho só é verdadeiramente o Evangelho quando está enculturado, inserido na cultura e contextualizado, e só assim não é distorção.

Em suma, Cristo é mais, muito mais do que normalmente pensamos. Cristo significa uma vida melhor não só para o indivíduo, mas para a nação. O Evangelho propõe um mundo melhor, e nos convida a promover esta integração do Evangelho às culturas humanas em particular, e aos nossos projetos de civilização. Qualquer outra possibilidade é uma distorção alienante que retira do Evangelho seu escopo e seu poder transformador.


2.      Evangelho e Política

Há quem diga abertamente que o Evangelho nada tem a ver com política. Há quem deplore que se discuta o que se chama vulgarmente de “questões políticas” na igreja. Quando vemos o péssimo exemplo dos políticos evangélicos, até entendemos a razão desse tipo de ojeriza à política. Mas, em geral, é fruto de uma pregação evangélica distorcida que aliena as pessoas, fazendo-as pensar que as questões políticas e sociais nada têm a ver com espiritualidade.

A relação entre cristianismo e política não deve ser confundida com a relação entre igreja e estado. A separação entre igreja e estado foi uma preciosa conquista da democracia. Ela garante a liberdade de culto e garante que, na ausência de uma religião oficial do estado, nenhuma instituição religiosa será privilegiada pelas leis do país. Isso nada tem a ver, no entanto, com a relação entre cristianismo e política. O verdadeiro cristianismo, me parece, está envolvido nas questões sócio-políticas até o pescoço. Ou talvez deveríamos dizer: até a cabeça, que é Cristo.

Sabemos que a Bíblia e o Evangelho nos convidam a um sério engajamento com os problemas sociais, econômicos e políticos. O quietismo supostamente presente em Romanos 13 empalidece ante as inúmeras passagens bíblicas nos convidando à denúncia e ao combate das injustiças sociais e os desmandos políticos. Os estudos contemporâneos sobre os tempos de Jesus e sobre sua pessoa e ministério, como os de Marcus Borg, John Crossan, Richard Horsley, e N. T. Wright, entre outros, tornam patente o fundamental elemento sócio-político de sua missão.

Isso nos convida a entender o que é a ação política que tem lugar no contexto do Evangelho. Não estamos falando de política partidária, que visa a obtenção e manutenção do poder. A ação cristã na política partidária é, em geral, fisiológica e clientelista, em benefício de igrejas, inclusive, e é, em suma, má política e mau cristianismo. Estamos falando de cidadania e consciência política do cidadão que leva a envolver-se nas questões sócio-políticas que o afetam diretamente, e particularmente a formulação e promulgação de leis que o beneficiam ou não, enquanto cidadão.

Esse é o problema da ação social assistencialista, que é o que os evangélicos praticam, em geral, e que às vezes se confunde com Missão Integral e com consciência cidadã e sócio-política, quando não é. O assistencialismo não resolve os problemas sociais e políticos porque não atinge o cerne das questões, não desce às estruturas, não ameaça os poderosos. Pelo contrário, o assistencialismo se encaixa perfeitamente no modelo dos poderes opressores de uma sociedade. Por isso, as igrejas não são combatidas, porque não ameaçam esses poderes políticos e econômicos. Se o fizesse, seria perseguida.

O que seria, então, uma igreja engajada numa luta pela cidadania e pela conscientização sócio-política? Seria uma igreja que estimulasse os seus membros a protestar, por meios legítimos e não-violentos, como passeatas e abaixo-assinados, reivindicar ante as autoridades, e, por fim, exigir leis mais justas e ação governamental voltada para a melhoria das condições de vida dos menos favorecidos. Não é isso que acontece nas igrejas evangélicas.

Eu tendo a pensar que o que a FTL entende por Missão Integral implica em uma restauração da integralidade do Evangelho de Cristo, hoje obliterado nas igrejas evangélicas, por meio de uma compreensão da relação tensa e paradoxal entre Evangelho e Cultura que nos desafia com o poder de Cristo para a transformação da cultura, e por meio de uma compreensão da relação entre Evangelho e Política que nos faça perceber as dimensões políticas e sócio-econômicas da pregação de Cristo.


III. Via Negativa


Estamos prontos agora para iniciar nossa busca pelo sentido da expressão missão integral. Para fazermos esta busca juntos, proponho partirmos de uma ponderação invertida ou negativa. Em vez de nos perguntarmos “o que é missão integral”, perguntemo-nos antes “o que não é missão integral”. Faremos algumas sugestões que certamente auxiliarão na limpeza do terreno para uma edificação positiva mais adequada a seguir.

Então, comecemos. Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que:


1.      Missão integral não é “estratégia de evangelização”.

Eu peço perdão por iniciar esta parte com algo aparentemente tão banal, mas também tão fundamental. Vale dizer que eu mesmo já ouvi pessoas, em reuniões da FTL, manifestarem em suas falas, sem serem corrigidas, estar sob a sombra deste terrível equívoco. Não há equívoco mais contrário ao espírito da teologia da missão integral, em minha opinião, do que pensá-la como uma estratégia para a evangelização. É evidente que os adeptos da teologia de missão integral logo dirão que o próprio conceito de evangelização ganha novas cores a partir da adoção da noção de missão integral, que deixa de ser mera conquista de almas para Cristo, etc. etc. Porém, por outro lado, quem comete esse equívoco ainda não está, em geral, sob o impacto de uma nova compreensão do evangelho e da missão da igreja que a teologia de missão integral impõe. De qualquer forma, os evangélicos em geral tendem a cair ou recair em fórmulas gnósticas que separam e distinguem o material e o espiritual, o corpo e a alma, num espírito contrário ao do ensino neotestamentário. Vale a pena, portanto, lembrar e alertar que, acima de tudo, missão integral não é uma estratégia ou técnica de evangelização ou, o que seria ainda mais nefasto, de estufamento de igrejas.


2.      Missão integral não é “ministério de ação social”.

É possível que este seja o mais comum e mais perigoso engano no que se refere à noção de missão integral: confundi-la com o ministério de ação social de uma igreja local ou uma denominação. Não estamos dizendo que as igrejas não devam ter tal ministério. Muito pelo contrário. Ministérios eclesiásticos ou para-eclesiásticos de ação social podem ser um importante instrumento para a concretização de alguns aspectos do que chamamos de missão integral. Entretanto, esses ministérios não implicam que haja missão integral enquanto construto teórico teológico. Não se pode inferir da presença destas agências que haja missão integral, ou que elas trabalhem sob a égide da missão integral. E pode, por outro lado, haver missão integral sem que haja ministérios e agências de ação social, que são, no geral, de caráter meramente assistencialista, e não percebem a necessidade de instituir instrumentos políticos que possam gerar mudanças estruturais na vida sócio-cultural e político-econômica da sociedade.


3.      Missão integral não é uma “teoria missiológica”.

Então, em um nível mais profundo, alguém poderia supor, ao perceber que este construto teórico afeta diretamente as práticas eclesiais, que se trata de um construto teórico de teologia pastoral, e, mais especificamente, de missiologia. A missão integral seria, portanto, uma compreensão específica de como a igreja faz missão, ou, numa redação muito melhor, como a igreja cumpre a sua missão. Seria, portanto, uma tese missiológica, mais ou menos nas seguintes linhas: a igreja cristã tem a missão de pregar o evangelho, mas esta pregação não se faz apenas com palavras, mas com atos de amor que manifestem o amor de Deus pelas pessoas através de nós, através das ações das comunidades cristãs. É evidente que tal compreensão da noção de missão integral está bem mais próxima do adequado que as concepções equivocadas descritas acima. Percebemos, todavia, que ela também tem problemas teóricos, enquanto definição conceitual da endiadys “missão integral”. Em primeiro lugar, esta compreensão pode sugerir que a missão integral é uma teoria missiológica entre outras, que uma igreja ou um cristão pode escolher ou não como sendo a sua missiologia. Tal concepção da endiadys como mera teoria missiológica, portanto, coloca em risco a percepção de sua necessidade, no sentido filosófico do termo, para a presença do evangelho. Em outras palavras, ameaça tornar a noção de missão integral algo extrínseco ao evangelho, e não intrínseco ou essencial no evangelho. E tal minimização da noção é algo que a teologia da missão integral nunca tolerou nem pode tolerar. Em segundo lugar, torná-la meramente uma teoria de teologia pastoral põe em risco a centralidade do conceito na constituição do evangelho, e essa marginalização do conceito é também algo que a teologia da missão integral nunca tolerou nem pode tolerar.


4.      Missão integral não é “diaconia”.

Antes de mais nada, vamos esclarecer que o termo “diaconia” não está sendo aqui empregado como sinônimo de ministério de ação social da igreja local, ou com a idéia de uma “junta diaconal” na igreja local, ou coisas semelhantes. O termo está aqui sendo empregado para discernir algo que parece ser essencial no ensino de Cristo, que é servir. Confundir missão integral com ministério de ação social é banal e totalmente equivocado. Confundir missão integral com diaconia é bastante desculpável, pois o que proponho aqui é uma filigrana, uma distinção muito sutil realmente, que já nos lança para o âmbito da teologia bíblica e sistemática, e nos aproxima de nosso ponto de chegada, que é a relação entre missão integral e o próprio evangelho de Cristo. Esclareça-se agora, e desde já, que o evangelho de Cristo não é apenas o perdão de nossos pecados pelo sangue derramado na cruz. É, antes, nossa reconciliação com Deus pela união mística com Cristo. É a presença de Cristo em nós, a presença do Espírito Santo que é o Espírito de Cristo, que determina nossa redenção, nossa justificação e nossa santificação. A presença de Cristo em nós implica necessariamente em discipulado, sob o senhorio de Cristo. Portanto, implica em diaconia, isto é, em serviço, assumir a forma de servo que o próprio Jesus Cristo assumiu. A diaconia é, portanto, aspecto essencial do seguimento de Cristo. Quem está em Cristo, serve a Deus e ao semelhante. Sem dúvida que a prática diaconal de cada cristão no seu seguimento de Cristo parece indicar uma percepção maior ou menor, mais ou menos consciente daquilo a teologia da missão integral sugere acerca da natureza do evangelho, mas não é uma marca inquestionável de que a noção de missão integral tenha sido assimilada ou que, em outras palavras, a missão integral tenha sido adotada. É bem possível que um cristão pense na diaconia como um aspecto da vida cristã que nada tem a ver com missão.


5.      Missão integral não é outro nome para a “teologia da libertação”.

Muitos podem pensar que a teologia da missão integral é uma versão evangélica da teologia da libertação, cujos principais nomes são majoritariamente católico-romanos. Há, de fato, mitos pontos-de-encontro. Porém, há também pontos divergentes, e isso desde os fundamentos. Enquanto a teologia da libertação tem sido descrita por muitos como uma leitura marxista da Bíblia, e as evidências apontam para a propriedade desta percepção acerca do referencial teórico fundamental da teologia da libertação, o mesmo não se pode dizer da teologia da missão integral, que se propõe, talvez um tanto ingenuamente, como uma teologia que é produzida apenas a partir da Bíblia, sem utilizar nenhum outro referencial teórico como chave hermenêutica. Seja como for, o importante pressuposto por detrás desta comparação é que a teologia da missão integral é uma teologia, assim como a teologia da libertação. O que significa dizer isso? Significa que a teologia da missão integral é uma interpretação geral do que é o cristianismo, do que significa ser um cristão, uma interpretação sobre o significado do próprio evangelho.


IV. Vórtice Elucidativo


Então, perguntemos agora, ainda que tentativamente, “o que é missão integral”? Para responder a essa pergunta, temos que aglutinar alguns importantes componentes da equação, e o faremos por meio de um progressivo afunilamento teórico.


1.      Missão integral é uma teologia bíblica do evangelho.

Já dissemos que missão integral é uma teologia. Isso é elucidador, mas fica a pergunta: que tipo de teologia? Parece ser uma teologia bíblica, isto é, uma tentativa de configurar esquematicamente a instrução bíblica a partir da própria Bíblia em vez de partir dos loci communes da chamada teologia dogmática ou sistemática. Há, porém, muitos tipos de teologia bíblica, com diferentes ênfases. Parece-me que a teologia da missão integral é uma teologia bíblica que centra toda a reflexão teológica na definição da natureza intrínseca do próprio evangelho, e quero propor, mais construtivamente agora, que ela o vê como o cumprimento da grande comissão de Cristo à luz do Mandato Sócio-Cultural do Gênesis.


2.      Missão integral é uma interpretação da Grande Comissão à luz do Mandato Sócio-Cultural.

O Mandato Sócio-Cultural surge logo nos primeiros versículos da Bíblia, compondo as primeiras ordenanças de Deus ao homem na Criação. Ler a Grande Comissão de Mateus 28 à luz do Mandato Cultural é vê-lo como resgatado diante da redenção em Cristo em face da queda. Em outras palavras, no esquema Criação-Queda-Redenção, o Mandato Cultural é recuperado na redenção em Cristo pela chamada Grande Comissão.

O Mandato sócio-cultural de Gênesis nos aponta para o projeto de Deus para a espécie humana. O projeto não está explicitamente descrito, mas implícito naquilo que a narrativa bíblica apresenta na forma de comando divino. Ele inclui: (i) apoio à família e à educação; (ii) apoio à pesquisa científica e tecnológica; (iii) promoção da nutrição alimentar e, por inferência, de todas as necessidades básicas para a sobrevivência e saúde de todos, sem exceção de ninguém; (iv) descanso e lazer para todos, e, por inferência, trabalho para todos.

Por meio da redenção em Cristo, a sua igreja se torna novamente capaz de fazer valer o mandato sócio-cultural. Isto é ler a grande comissão como retomada do projeto divino para a humanidade. Isso é, para mim, a principal base para a teologia da missão integral.


3.      Missão integral é a Missão da Igreja e a Teologia que serve à Igreja.

A missão da igreja é sua razão de existir. Ela existe para cumprir sua missão, sem a qual ela não tem sentido algum. Creio que a teologia da missão integral reconhece isso e propõe que é preciso compreender a missão da igreja em sua inteireza. Mais que isso, implica também que a teologia da igreja só faz sentido se feita à luz da missão da igreja, auxiliando-a no cumprimento da mesma. Se não é assim, é teologia que se impõe sobre a igreja, e que obriga a igreja a servi-la em vez de servir a igreja. É teologia que atrapalha a igreja no cumprimento de sua missão. Toda teologia que se preze, creio eu, deve ser feita a partir de dois motores: o estudo da Bíblia e a missão da igreja.

Alguns dizem que a missão da igreja é adorar a Deus. Paulo ensina, em Romanos 12, que o verdadeiro culto a Deus é oferecer-se em sacrifício vivo, o que implica em algo mais que a adoração e o louvor na compreensão popular dos conceitos. Alguns dizem, em contrapartida, que a missão da igreja é evangelizar o mundo. De fato, mas aqui cabe perguntar o que isso significa. Seria apenas levar os homens a se decidirem por Cristo? A se tornarem membros de igrejas evangélicas? Ou seria a difusão do Reino de Deus? Ou seria ainda mais, a infusão dos valores do reino na cultura e na sociedade?


4.      Missão integral é o próprio evangelho.

Missão integral é, talvez, outro nome que se pode dar ao próprio evangelho, como um cognome, ou um aposto. Como aposto, poderíamos dizer, por exemplo: “o evangelho de Cristo, isto é, a missão integral da igreja, deve ser o centro da pregação cristã”, e assim por diante.

Evangelho, como todos sabem, significa “as Boas Novas da salvação em Cristo”. Eu quero crer que é isso também que significa a missão integral. Se não fazemos essa identificação, talvez seja porque limitamos, por vício, o escopo do significado do Evangelho. Salvação em Cristo significa união mística com Cristo: Cristo em nós, operando nossa justificação e nossa santificação. Cristo em nós implica em uma transformação espiritual sendo operada; implica na imitação de Cristo; em outras palavras implica em discipulado. Na verdade, creio que é preciso afirmar que não há salvação sem a presença do Espírito de Cristo em nós, e, portanto, sem obediência, sem esvaziamento, sem tomarmos a forma de servo que Cristo tomou. Em suma, não há redenção em Cristo sem seguimento, sem discipulado, porque não há evangelho sem discipulado. Seguir a Cristo e servir a Cristo significa um engajamento naquilo que chamamos de missão integral.

Então, não há outro evangelho, a não ser este: a adoção e a participação na missão que só pode ser integral. Em hipótese alguma uma missão parcial ou fragmentária poderá ser chamada de evangelho. Não há missão parcial. E aqui está a grande falácia por detrás desta expressão, desta endiadys: missão integral, pois falar em missão integral pode fazer presumir que há outra missão cristã ou evangélica que seja também válida, e que nãos seja integral, quando na verdade só há uma missão em Cristo: aquela que inclui a integralidade daquilo que o Evangelho representa.

O problema é que isso coloca todos os adeptos da teologia da missão integral em franca e direta oposição à larga e vasta maioria das igrejas evangélicas e do mundo evangélico, que jamais compreendeu e jamais aceitou a teologia da missão integral, que certamente não entende a missão da igreja dessa forma, mas antes pregando e praticando aquilo que os adeptos da missão integral seriam obrigados a chamar de “missão parcial”.

Só a aceitaram os chamados “evangelicais”, um adjetivo que se usa, em oposição a “evangélico”, para designar um grupo de evangélicos de difícil localização. Uma palavra que é um anglicismo, tradução do inglês “evangelical” que, na verdade, quer dizer “evangélico”, e não “evangelical”. O adjetivo “evangelical” tende a cair no vazio. Quem são os evangelicais, além dos participantes da FTL?

Mas acontece que, se não há missão parcial, isso tem sérias conseqüências para quem advoga a missão integral. Assim como uma meia-verdade é, em geral, uma mentira inteira, também a noção de uma missão parcial é um equívoco. Missão parcial simplesmente não é a missão cristã, pelo contrário, é uma distorção perigosa da missão, uma distorção alienante, aviltante e opressora. Não é a verdadeira missão do corpo místico de Cristo, a Igreja Invisível, que é sempre missão integral, uma vez que essa é a única genuína missão neotestamentária. Uma missão distorcida não só não é missão de Cristo, mas presta desserviço a Cristo, pois é missão feita em nome de Cristo sem ser de Cristo. Isso a caracteriza, a partir de uma perspectiva neotestamentária, como missão do anticristo. Toda igreja que se diz cristã, mas rejeita, não por ignorância, mas conscientemente, a teologia da missão integral, está, ipso facto, sub judice, como candidata a igreja do anticristo.


V. Palavras Finais

Alguém poderá dizer, agora que desembarcamos no porto final desta caminhada teórica que compõe esta comunicação, que as conclusões a que chegamos são apenas óbvias. Diante desta observação crítica, tudo que tenho a dizer é que concordo inteiramente. Assim já dizia Caetano Veloso que seriam óbvias as palavras que o índio proferiria em um ponto eqüidistante entre atlântico e o pacífico. E que surpreenderiam por ser óbvias, pois o óbvio é bom, é claro e é verdadeiro. É precisamente da obviedade que carecemos, mas não da obviedade tautológica ou repetitiva, a platitude que não passa de um lugar comum. O que se pretendeu foi dizer o óbvio que esclarece, que desobnubila, que desobstaculiza, que ilumina e que tranqüiliza o coração. Não proponho, porém, sequer que este trabalho específico de limpar o terreno para futuras edificações esteja completo. Esclareço ainda além, portanto, que este texto pretendeu apenas iniciar uma reflexão que deve continuar em conjunto agora, num espírito fraterno e elucidativo.
Missão Integral: Um Convite à Reflexão PDF Imprimir E-mail
Escrito por Ricardo Quadros Gouvêa   
I. Palavras Introdutórias


Muito já se escreveu sobre missão integral. Os livros recentemente lançados sobre o assunto, o de René Padilla e o de Ricardo Gondim, perfazem juntos uma boa síntese do que se entendeu teologicamente até hoje por missão integral e os problemas desse construto teórico, bem como de sua aplicabilidade na vida das igrejas evangélicas e dos movimentos evangélico e/ou evangelical.

Teremos em breve encontros em que debateremos estas obras com seus autores. Sendo assim, o que propomos para hoje? Proponho um exercício de reflexão teológica conjunta a partir de um texto que servirá meramente como ponto-de-partida, que não se pretende original ou inovador, mas sim esclarecedor.

Não sei, entretanto, se eu entendo bem o que quer dizer “missão integral” ou o que é a “teologia da missão integral”. Vejo discursos e práticas desalinhadas sob esse mesmo rótulo, e fico com a sensação de que há desinformação e dissonância cognitiva, o que pode e deve ser resolvido, além de uma salutar discordância e variação nuançada, o que é positivo, mas convida ao diálogo.

Este texto busca, portanto, ainda que modestamente, auxiliar na caminhada em direção a uma resposta acerca do significado do construto teórico teológico “missão integral”, tão importante na história da Fraternidade Teológica Latino-Americana.

Estou convencido que há dois estudos propedêuticos que se fazem necessários antes que exploremos o conceito de missão integral propriamente, tentando uma aproximação mais acurada de definição ou de identificação. Passo agora, portanto, a essas duas excursões breves em teologia filosófica ou teologia cultural ou ainda teologia apologética, como se dizia antigamente. Estas duas excursões lidam com as relações entre evangelho e cultura, primeiro e, depois, entre evangelho e política.


II. Evangelho, Cultura e Política: Duas Excursões Teóricas


1.      Evangelho e Cultura

Esta sempre foi uma relação de grande tensão na história do cristianismo. Hoje compreendemos que não poderia deixar de ser. Evangelho e cultura se distinguem, mas não é fácil distingui-los. O Evangelho não existe a não ser enculturado, isto é, contextualizado. Há quem queira separar o Evangelho da cultura, mas isso nunca existiu, e não pode ser feito. É da natureza do Evangelho ser cultural. O Evangelho já nasce inserido numa cultura, a cultura judaica, mas não se confunde com ela. Esta é a tensão infinitamente elástica que nos causa tantos transtornos: o Evangelho não é a cultura, nem mesmo a cultura judaica, mas só existe imiscuído e misturado com a cultura, de tal forma que não é possível extraí-lo e limpá-lo da cultura sem causar dano à natureza intrínseca do Evangelho e também à cultura. Se tentarmos distinguir cultura de Evangelho, fica um pouco de cultura, perde-se um pouco de Evangelho, e não se obtém um bom resultado.

A primeira transposição cultural sofrida pelo Evangelho foi para a cultura helenista dos tempos da chamada igreja primitiva. Essa transposição foi feita com razoável sucesso, mas não sem fortes traumas. É uma transposição que começa com Paulo, e é, portanto, sancionada pelo próprio Evangelho, pelas Escrituras Sagradas. Mas o Novo Testamento também já dá testemunho dos traumas e aflições causados pela transposição. O relativo sucesso do empreendimento deve nos fazer perceber as tremendas transformações sofridas pelo Evangelho no mundo helenista, e, em particular, a leitura de tendências neoplatônicas e semi-gnósticas que acabaram por preponderar no período patrístico, e acabaram por servir de base para a construção da teologia.

Uma segunda transposição acontece no período medieval, e posteriormente no período moderno, e sempre sofreu o Evangelho transformações, assim como transformou as culturas. Com o surgimento das nações-estado modernas, e com o crescimento econômico e populacional advindo das revoluções científica e industrial, surge um grande número de culturas ocidentais distintas promovendo novas tensões com o Evangelho herdado, e o trabalho missionário leva o Evangelho para culturas não-européias, que iriam absorver o evangelho misturado à cultura dos próprios missionários.

Os missionários das igrejas protestantes históricas trouxeram ao Brasil um Evangelho marcado pelos traços culturais de onde eles haviam partido. Foi só no século XX que a relação Evangelho e cultura passou a ser mais estudada e compreendida. Começou-se a perceber a enorme complexidade do processo enculturação do Evangelho, e se começou a falr, no fim do século XX, em contextualização.

O grande cientista da religião Helmut Richard Niebuhr, irmão do célebre teólogo Reinhold Niebuhr, foi um dos pioneiros nesse estudo, com o clássico Cristo e Cultura, onde distingue cinco diferentes possibilidades compreensão do relacionamento entre Evangelho e Cultura, que ele denomina: (i) Cristo contra a cultura; (ii) Cristo da Cultura; (iii) Cristo acima da cultura; (iv) Cristo e Cultura em Paradoxo; e (v) Cristo transformador da cultura. Niebuhr nos mostra como todos os cinco “tipos” (“tipos ideais”, como ele diz) foram praticados e implicitamente ensinados através dos tempos. No entanto, sugere que os primeiros dois são enganosos, distorções, o primeiro pela rejeição da cultura, e o segundo pela sua adoção não criteriosa ou sem qualificações necessárias. Eles representariam, grosso modo, os pólos fundamentalista e liberal. Os três outros tipos estariam, segundo o autor, mais de acordo com aquilo que o Novo Testamento propõe, o terceiro representando a posição tomista, o quarto a posição existencial-dialética, e o quinto a visão mais comum na teologia contemporânea.

Ao que me parece, a teologia da missão integral se propõe partidária, acima de tudo, da quinta possibilidade, de ver Cristo como transformador da cultura, sem negar a importância e o valor da cultura, como no caso principalmente do primeiro tipo niebuhriano, mas também do terceiro, típico do mundo evangélico conservador (que é em grande grau tomista sem saber disso). Trata-se, portanto, de trazer o Evangelho à cultura para redimi-la, não para alterá-la. Isso está de acordo com o que dissemos a princípio: o Evangelho só é verdadeiramente o Evangelho quando está enculturado, inserido na cultura e contextualizado, e só assim não é distorção.

Em suma, Cristo é mais, muito mais do que normalmente pensamos. Cristo significa uma vida melhor não só para o indivíduo, mas para a nação. O Evangelho propõe um mundo melhor, e nos convida a promover esta integração do Evangelho às culturas humanas em particular, e aos nossos projetos de civilização. Qualquer outra possibilidade é uma distorção alienante que retira do Evangelho seu escopo e seu poder transformador.


2.      Evangelho e Política

Há quem diga abertamente que o Evangelho nada tem a ver com política. Há quem deplore que se discuta o que se chama vulgarmente de “questões políticas” na igreja. Quando vemos o péssimo exemplo dos políticos evangélicos, até entendemos a razão desse tipo de ojeriza à política. Mas, em geral, é fruto de uma pregação evangélica distorcida que aliena as pessoas, fazendo-as pensar que as questões políticas e sociais nada têm a ver com espiritualidade.

A relação entre cristianismo e política não deve ser confundida com a relação entre igreja e estado. A separação entre igreja e estado foi uma preciosa conquista da democracia. Ela garante a liberdade de culto e garante que, na ausência de uma religião oficial do estado, nenhuma instituição religiosa será privilegiada pelas leis do país. Isso nada tem a ver, no entanto, com a relação entre cristianismo e política. O verdadeiro cristianismo, me parece, está envolvido nas questões sócio-políticas até o pescoço. Ou talvez deveríamos dizer: até a cabeça, que é Cristo.

Sabemos que a Bíblia e o Evangelho nos convidam a um sério engajamento com os problemas sociais, econômicos e políticos. O quietismo supostamente presente em Romanos 13 empalidece ante as inúmeras passagens bíblicas nos convidando à denúncia e ao combate das injustiças sociais e os desmandos políticos. Os estudos contemporâneos sobre os tempos de Jesus e sobre sua pessoa e ministério, como os de Marcus Borg, John Crossan, Richard Horsley, e N. T. Wright, entre outros, tornam patente o fundamental elemento sócio-político de sua missão.

Isso nos convida a entender o que é a ação política que tem lugar no contexto do Evangelho. Não estamos falando de política partidária, que visa a obtenção e manutenção do poder. A ação cristã na política partidária é, em geral, fisiológica e clientelista, em benefício de igrejas, inclusive, e é, em suma, má política e mau cristianismo. Estamos falando de cidadania e consciência política do cidadão que leva a envolver-se nas questões sócio-políticas que o afetam diretamente, e particularmente a formulação e promulgação de leis que o beneficiam ou não, enquanto cidadão.

Esse é o problema da ação social assistencialista, que é o que os evangélicos praticam, em geral, e que às vezes se confunde com Missão Integral e com consciência cidadã e sócio-política, quando não é. O assistencialismo não resolve os problemas sociais e políticos porque não atinge o cerne das questões, não desce às estruturas, não ameaça os poderosos. Pelo contrário, o assistencialismo se encaixa perfeitamente no modelo dos poderes opressores de uma sociedade. Por isso, as igrejas não são combatidas, porque não ameaçam esses poderes políticos e econômicos. Se o fizesse, seria perseguida.

O que seria, então, uma igreja engajada numa luta pela cidadania e pela conscientização sócio-política? Seria uma igreja que estimulasse os seus membros a protestar, por meios legítimos e não-violentos, como passeatas e abaixo-assinados, reivindicar ante as autoridades, e, por fim, exigir leis mais justas e ação governamental voltada para a melhoria das condições de vida dos menos favorecidos. Não é isso que acontece nas igrejas evangélicas.

Eu tendo a pensar que o que a FTL entende por Missão Integral implica em uma restauração da integralidade do Evangelho de Cristo, hoje obliterado nas igrejas evangélicas, por meio de uma compreensão da relação tensa e paradoxal entre Evangelho e Cultura que nos desafia com o poder de Cristo para a transformação da cultura, e por meio de uma compreensão da relação entre Evangelho e Política que nos faça perceber as dimensões políticas e sócio-econômicas da pregação de Cristo.


III. Via Negativa


Estamos prontos agora para iniciar nossa busca pelo sentido da expressão missão integral. Para fazermos esta busca juntos, proponho partirmos de uma ponderação invertida ou negativa. Em vez de nos perguntarmos “o que é missão integral”, perguntemo-nos antes “o que não é missão integral”. Faremos algumas sugestões que certamente auxiliarão na limpeza do terreno para uma edificação positiva mais adequada a seguir.

Então, comecemos. Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que:


1.      Missão integral não é “estratégia de evangelização”.

Eu peço perdão por iniciar esta parte com algo aparentemente tão banal, mas também tão fundamental. Vale dizer que eu mesmo já ouvi pessoas, em reuniões da FTL, manifestarem em suas falas, sem serem corrigidas, estar sob a sombra deste terrível equívoco. Não há equívoco mais contrário ao espírito da teologia da missão integral, em minha opinião, do que pensá-la como uma estratégia para a evangelização. É evidente que os adeptos da teologia de missão integral logo dirão que o próprio conceito de evangelização ganha novas cores a partir da adoção da noção de missão integral, que deixa de ser mera conquista de almas para Cristo, etc. etc. Porém, por outro lado, quem comete esse equívoco ainda não está, em geral, sob o impacto de uma nova compreensão do evangelho e da missão da igreja que a teologia de missão integral impõe. De qualquer forma, os evangélicos em geral tendem a cair ou recair em fórmulas gnósticas que separam e distinguem o material e o espiritual, o corpo e a alma, num espírito contrário ao do ensino neotestamentário. Vale a pena, portanto, lembrar e alertar que, acima de tudo, missão integral não é uma estratégia ou técnica de evangelização ou, o que seria ainda mais nefasto, de estufamento de igrejas.


2.      Missão integral não é “ministério de ação social”.

É possível que este seja o mais comum e mais perigoso engano no que se refere à noção de missão integral: confundi-la com o ministério de ação social de uma igreja local ou uma denominação. Não estamos dizendo que as igrejas não devam ter tal ministério. Muito pelo contrário. Ministérios eclesiásticos ou para-eclesiásticos de ação social podem ser um importante instrumento para a concretização de alguns aspectos do que chamamos de missão integral. Entretanto, esses ministérios não implicam que haja missão integral enquanto construto teórico teológico. Não se pode inferir da presença destas agências que haja missão integral, ou que elas trabalhem sob a égide da missão integral. E pode, por outro lado, haver missão integral sem que haja ministérios e agências de ação social, que são, no geral, de caráter meramente assistencialista, e não percebem a necessidade de instituir instrumentos políticos que possam gerar mudanças estruturais na vida sócio-cultural e político-econômica da sociedade.


3.      Missão integral não é uma “teoria missiológica”.

Então, em um nível mais profundo, alguém poderia supor, ao perceber que este construto teórico afeta diretamente as práticas eclesiais, que se trata de um construto teórico de teologia pastoral, e, mais especificamente, de missiologia. A missão integral seria, portanto, uma compreensão específica de como a igreja faz missão, ou, numa redação muito melhor, como a igreja cumpre a sua missão. Seria, portanto, uma tese missiológica, mais ou menos nas seguintes linhas: a igreja cristã tem a missão de pregar o evangelho, mas esta pregação não se faz apenas com palavras, mas com atos de amor que manifestem o amor de Deus pelas pessoas através de nós, através das ações das comunidades cristãs. É evidente que tal compreensão da noção de missão integral está bem mais próxima do adequado que as concepções equivocadas descritas acima. Percebemos, todavia, que ela também tem problemas teóricos, enquanto definição conceitual da endiadys “missão integral”. Em primeiro lugar, esta compreensão pode sugerir que a missão integral é uma teoria missiológica entre outras, que uma igreja ou um cristão pode escolher ou não como sendo a sua missiologia. Tal concepção da endiadys como mera teoria missiológica, portanto, coloca em risco a percepção de sua necessidade, no sentido filosófico do termo, para a presença do evangelho. Em outras palavras, ameaça tornar a noção de missão integral algo extrínseco ao evangelho, e não intrínseco ou essencial no evangelho. E tal minimização da noção é algo que a teologia da missão integral nunca tolerou nem pode tolerar. Em segundo lugar, torná-la meramente uma teoria de teologia pastoral põe em risco a centralidade do conceito na constituição do evangelho, e essa marginalização do conceito é também algo que a teologia da missão integral nunca tolerou nem pode tolerar.


4.      Missão integral não é “diaconia”.

Antes de mais nada, vamos esclarecer que o termo “diaconia” não está sendo aqui empregado como sinônimo de ministério de ação social da igreja local, ou com a idéia de uma “junta diaconal” na igreja local, ou coisas semelhantes. O termo está aqui sendo empregado para discernir algo que parece ser essencial no ensino de Cristo, que é servir. Confundir missão integral com ministério de ação social é banal e totalmente equivocado. Confundir missão integral com diaconia é bastante desculpável, pois o que proponho aqui é uma filigrana, uma distinção muito sutil realmente, que já nos lança para o âmbito da teologia bíblica e sistemática, e nos aproxima de nosso ponto de chegada, que é a relação entre missão integral e o próprio evangelho de Cristo. Esclareça-se agora, e desde já, que o evangelho de Cristo não é apenas o perdão de nossos pecados pelo sangue derramado na cruz. É, antes, nossa reconciliação com Deus pela união mística com Cristo. É a presença de Cristo em nós, a presença do Espírito Santo que é o Espírito de Cristo, que determina nossa redenção, nossa justificação e nossa santificação. A presença de Cristo em nós implica necessariamente em discipulado, sob o senhorio de Cristo. Portanto, implica em diaconia, isto é, em serviço, assumir a forma de servo que o próprio Jesus Cristo assumiu. A diaconia é, portanto, aspecto essencial do seguimento de Cristo. Quem está em Cristo, serve a Deus e ao semelhante. Sem dúvida que a prática diaconal de cada cristão no seu seguimento de Cristo parece indicar uma percepção maior ou menor, mais ou menos consciente daquilo a teologia da missão integral sugere acerca da natureza do evangelho, mas não é uma marca inquestionável de que a noção de missão integral tenha sido assimilada ou que, em outras palavras, a missão integral tenha sido adotada. É bem possível que um cristão pense na diaconia como um aspecto da vida cristã que nada tem a ver com missão.


5.      Missão integral não é outro nome para a “teologia da libertação”.

Muitos podem pensar que a teologia da missão integral é uma versão evangélica da teologia da libertação, cujos principais nomes são majoritariamente católico-romanos. Há, de fato, mitos pontos-de-encontro. Porém, há também pontos divergentes, e isso desde os fundamentos. Enquanto a teologia da libertação tem sido descrita por muitos como uma leitura marxista da Bíblia, e as evidências apontam para a propriedade desta percepção acerca do referencial teórico fundamental da teologia da libertação, o mesmo não se pode dizer da teologia da missão integral, que se propõe, talvez um tanto ingenuamente, como uma teologia que é produzida apenas a partir da Bíblia, sem utilizar nenhum outro referencial teórico como chave hermenêutica. Seja como for, o importante pressuposto por detrás desta comparação é que a teologia da missão integral é uma teologia, assim como a teologia da libertação. O que significa dizer isso? Significa que a teologia da missão integral é uma interpretação geral do que é o cristianismo, do que significa ser um cristão, uma interpretação sobre o significado do próprio evangelho.


IV. Vórtice Elucidativo


Então, perguntemos agora, ainda que tentativamente, “o que é missão integral”? Para responder a essa pergunta, temos que aglutinar alguns importantes componentes da equação, e o faremos por meio de um progressivo afunilamento teórico.


1.      Missão integral é uma teologia bíblica do evangelho.

Já dissemos que missão integral é uma teologia. Isso é elucidador, mas fica a pergunta: que tipo de teologia? Parece ser uma teologia bíblica, isto é, uma tentativa de configurar esquematicamente a instrução bíblica a partir da própria Bíblia em vez de partir dos loci communes da chamada teologia dogmática ou sistemática. Há, porém, muitos tipos de teologia bíblica, com diferentes ênfases. Parece-me que a teologia da missão integral é uma teologia bíblica que centra toda a reflexão teológica na definição da natureza intrínseca do próprio evangelho, e quero propor, mais construtivamente agora, que ela o vê como o cumprimento da grande comissão de Cristo à luz do Mandato Sócio-Cultural do Gênesis.


2.      Missão integral é uma interpretação da Grande Comissão à luz do Mandato Sócio-Cultural.

O Mandato Sócio-Cultural surge logo nos primeiros versículos da Bíblia, compondo as primeiras ordenanças de Deus ao homem na Criação. Ler a Grande Comissão de Mateus 28 à luz do Mandato Cultural é vê-lo como resgatado diante da redenção em Cristo em face da queda. Em outras palavras, no esquema Criação-Queda-Redenção, o Mandato Cultural é recuperado na redenção em Cristo pela chamada Grande Comissão.

O Mandato sócio-cultural de Gênesis nos aponta para o projeto de Deus para a espécie humana. O projeto não está explicitamente descrito, mas implícito naquilo que a narrativa bíblica apresenta na forma de comando divino. Ele inclui: (i) apoio à família e à educação; (ii) apoio à pesquisa científica e tecnológica; (iii) promoção da nutrição alimentar e, por inferência, de todas as necessidades básicas para a sobrevivência e saúde de todos, sem exceção de ninguém; (iv) descanso e lazer para todos, e, por inferência, trabalho para todos.

Por meio da redenção em Cristo, a sua igreja se torna novamente capaz de fazer valer o mandato sócio-cultural. Isto é ler a grande comissão como retomada do projeto divino para a humanidade. Isso é, para mim, a principal base para a teologia da missão integral.


3.      Missão integral é a Missão da Igreja e a Teologia que serve à Igreja.

A missão da igreja é sua razão de existir. Ela existe para cumprir sua missão, sem a qual ela não tem sentido algum. Creio que a teologia da missão integral reconhece isso e propõe que é preciso compreender a missão da igreja em sua inteireza. Mais que isso, implica também que a teologia da igreja só faz sentido se feita à luz da missão da igreja, auxiliando-a no cumprimento da mesma. Se não é assim, é teologia que se impõe sobre a igreja, e que obriga a igreja a servi-la em vez de servir a igreja. É teologia que atrapalha a igreja no cumprimento de sua missão. Toda teologia que se preze, creio eu, deve ser feita a partir de dois motores: o estudo da Bíblia e a missão da igreja.

Alguns dizem que a missão da igreja é adorar a Deus. Paulo ensina, em Romanos 12, que o verdadeiro culto a Deus é oferecer-se em sacrifício vivo, o que implica em algo mais que a adoração e o louvor na compreensão popular dos conceitos. Alguns dizem, em contrapartida, que a missão da igreja é evangelizar o mundo. De fato, mas aqui cabe perguntar o que isso significa. Seria apenas levar os homens a se decidirem por Cristo? A se tornarem membros de igrejas evangélicas? Ou seria a difusão do Reino de Deus? Ou seria ainda mais, a infusão dos valores do reino na cultura e na sociedade?


4.      Missão integral é o próprio evangelho.

Missão integral é, talvez, outro nome que se pode dar ao próprio evangelho, como um cognome, ou um aposto. Como aposto, poderíamos dizer, por exemplo: “o evangelho de Cristo, isto é, a missão integral da igreja, deve ser o centro da pregação cristã”, e assim por diante.

Evangelho, como todos sabem, significa “as Boas Novas da salvação em Cristo”. Eu quero crer que é isso também que significa a missão integral. Se não fazemos essa identificação, talvez seja porque limitamos, por vício, o escopo do significado do Evangelho. Salvação em Cristo significa união mística com Cristo: Cristo em nós, operando nossa justificação e nossa santificação. Cristo em nós implica em uma transformação espiritual sendo operada; implica na imitação de Cristo; em outras palavras implica em discipulado. Na verdade, creio que é preciso afirmar que não há salvação sem a presença do Espírito de Cristo em nós, e, portanto, sem obediência, sem esvaziamento, sem tomarmos a forma de servo que Cristo tomou. Em suma, não há redenção em Cristo sem seguimento, sem discipulado, porque não há evangelho sem discipulado. Seguir a Cristo e servir a Cristo significa um engajamento naquilo que chamamos de missão integral.

Então, não há outro evangelho, a não ser este: a adoção e a participação na missão que só pode ser integral. Em hipótese alguma uma missão parcial ou fragmentária poderá ser chamada de evangelho. Não há missão parcial. E aqui está a grande falácia por detrás desta expressão, desta endiadys: missão integral, pois falar em missão integral pode fazer presumir que há outra missão cristã ou evangélica que seja também válida, e que nãos seja integral, quando na verdade só há uma missão em Cristo: aquela que inclui a integralidade daquilo que o Evangelho representa.

O problema é que isso coloca todos os adeptos da teologia da missão integral em franca e direta oposição à larga e vasta maioria das igrejas evangélicas e do mundo evangélico, que jamais compreendeu e jamais aceitou a teologia da missão integral, que certamente não entende a missão da igreja dessa forma, mas antes pregando e praticando aquilo que os adeptos da missão integral seriam obrigados a chamar de “missão parcial”.

Só a aceitaram os chamados “evangelicais”, um adjetivo que se usa, em oposição a “evangélico”, para designar um grupo de evangélicos de difícil localização. Uma palavra que é um anglicismo, tradução do inglês “evangelical” que, na verdade, quer dizer “evangélico”, e não “evangelical”. O adjetivo “evangelical” tende a cair no vazio. Quem são os evangelicais, além dos participantes da FTL?

Mas acontece que, se não há missão parcial, isso tem sérias conseqüências para quem advoga a missão integral. Assim como uma meia-verdade é, em geral, uma mentira inteira, também a noção de uma missão parcial é um equívoco. Missão parcial simplesmente não é a missão cristã, pelo contrário, é uma distorção perigosa da missão, uma distorção alienante, aviltante e opressora. Não é a verdadeira missão do corpo místico de Cristo, a Igreja Invisível, que é sempre missão integral, uma vez que essa é a única genuína missão neotestamentária. Uma missão distorcida não só não é missão de Cristo, mas presta desserviço a Cristo, pois é missão feita em nome de Cristo sem ser de Cristo. Isso a caracteriza, a partir de uma perspectiva neotestamentária, como missão do anticristo. Toda igreja que se diz cristã, mas rejeita, não por ignorância, mas conscientemente, a teologia da missão integral, está, ipso facto, sub judice, como candidata a igreja do anticristo.


V. Palavras Finais

Alguém poderá dizer, agora que desembarcamos no porto final desta caminhada teórica que compõe esta comunicação, que as conclusões a que chegamos são apenas óbvias. Diante desta observação crítica, tudo que tenho a dizer é que concordo inteiramente. Assim já dizia Caetano Veloso que seriam óbvias as palavras que o índio proferiria em um ponto eqüidistante entre atlântico e o pacífico. E que surpreenderiam por ser óbvias, pois o óbvio é bom, é claro e é verdadeiro. É precisamente da obviedade que carecemos, mas não da obviedade tautológica ou repetitiva, a platitude que não passa de um lugar comum. O que se pretendeu foi dizer o óbvio que esclarece, que desobnubila, que desobstaculiza, que ilumina e que tranqüiliza o coração. Não proponho, porém, sequer que este trabalho específico de limpar o terreno para futuras edificações esteja completo. Esclareço ainda além, portanto, que este texto pretendeu apenas iniciar uma reflexão que deve continuar em conjunto agora, num espírito fraterno e elucidativo.

Missão Integral: Um Convite à Reflexão PDF Imprimir E-mail

Escrito por Ricardo Quadros Gouvêa   

Olá, tudo bem?

Este artigo escrito para Fraternidade Teológica Latino-Americana é muito interessante, pois nele Ricardo Gouvêa se preocupa tanto em desfazer as confusões daquilo que Missão Integral não é, como em mostrar como a proposta da Missão Integral esta relacionada a uma leitura da bíblia a partir do olhar de Jesus e dos evangelhos.

É um dos melhores artigos que eu já li sobre o assunto e por isso, recomendo como ótimo material para  fundamentação teológica.

Abraços

Lauberti Marcondes

MISSÃO INTEGRAL: UM CONVITE À REFLEXÃO.

Escrito por Ricardo Quadros Gouvêa.

I. Palavras Introdutórias


Muito já se escreveu sobre missão integral. Os livros recentemente lançados sobre o assunto, o de René Padilla e o de Ricardo Gondim, perfazem juntos uma boa síntese do que se entendeu teologicamente até hoje por missão integral e os problemas desse construto teórico, bem como de sua aplicabilidade na vida das igrejas evangélicas e dos movimentos evangélico e/ou evangelical.

Teremos em breve encontros em que debateremos estas obras com seus autores. Sendo assim, o que propomos para hoje? Proponho um exercício de reflexão teológica conjunta a partir de um texto que servirá meramente como ponto-de-partida, que não se pretende original ou inovador, mas sim esclarecedor.

Não sei, entretanto, se eu entendo bem o que quer dizer “missão integral” ou o que é a “teologia da missão integral”. Vejo discursos e práticas desalinhadas sob esse mesmo rótulo, e fico com a sensação de que há desinformação e dissonância cognitiva, o que pode e deve ser resolvido, além de uma salutar discordância e variação nuançada, o que é positivo, mas convida ao diálogo.

Este texto busca, portanto, ainda que modestamente, auxiliar na caminhada em direção a uma resposta acerca do significado do construto teórico teológico “missão integral”, tão importante na história da Fraternidade Teológica Latino-Americana.

Estou convencido que há dois estudos propedêuticos que se fazem necessários antes que exploremos o conceito de missão integral propriamente, tentando uma aproximação mais acurada de definição ou de identificação. Passo agora, portanto, a essas duas excursões breves em teologia filosófica ou teologia cultural ou ainda teologia apologética, como se dizia antigamente. Estas duas excursões lidam com as relações entre evangelho e cultura, primeiro e, depois, entre evangelho e política.


II. Evangelho, Cultura e Política: Duas Excursões Teóricas


1.      Evangelho e Cultura

Esta sempre foi uma relação de grande tensão na história do cristianismo. Hoje compreendemos que não poderia deixar de ser. Evangelho e cultura se distinguem, mas não é fácil distingui-los. O Evangelho não existe a não ser enculturado, isto é, contextualizado. Há quem queira separar o Evangelho da cultura, mas isso nunca existiu, e não pode ser feito. É da natureza do Evangelho ser cultural. O Evangelho já nasce inserido numa cultura, a cultura judaica, mas não se confunde com ela. Esta é a tensão infinitamente elástica que nos causa tantos transtornos: o Evangelho não é a cultura, nem mesmo a cultura judaica, mas só existe imiscuído e misturado com a cultura, de tal forma que não é possível extraí-lo e limpá-lo da cultura sem causar dano à natureza intrínseca do Evangelho e também à cultura. Se tentarmos distinguir cultura de Evangelho, fica um pouco de cultura, perde-se um pouco de Evangelho, e não se obtém um bom resultado.

A primeira transposição cultural sofrida pelo Evangelho foi para a cultura helenista dos tempos da chamada igreja primitiva. Essa transposição foi feita com razoável sucesso, mas não sem fortes traumas. É uma transposição que começa com Paulo, e é, portanto, sancionada pelo próprio Evangelho, pelas Escrituras Sagradas. Mas o Novo Testamento também já dá testemunho dos traumas e aflições causados pela transposição. O relativo sucesso do empreendimento deve nos fazer perceber as tremendas transformações sofridas pelo Evangelho no mundo helenista, e, em particular, a leitura de tendências neoplatônicas e semi-gnósticas que acabaram por preponderar no período patrístico, e acabaram por servir de base para a construção da teologia.

Uma segunda transposição acontece no período medieval, e posteriormente no período moderno, e sempre sofreu o Evangelho transformações, assim como transformou as culturas. Com o surgimento das nações-estado modernas, e com o crescimento econômico e populacional advindo das revoluções científica e industrial, surge um grande número de culturas ocidentais distintas promovendo novas tensões com o Evangelho herdado, e o trabalho missionário leva o Evangelho para culturas não-européias, que iriam absorver o evangelho misturado à cultura dos próprios missionários.

Os missionários das igrejas protestantes históricas trouxeram ao Brasil um Evangelho marcado pelos traços culturais de onde eles haviam partido. Foi só no século XX que a relação Evangelho e cultura passou a ser mais estudada e compreendida. Começou-se a perceber a enorme complexidade do processo enculturação do Evangelho, e se começou a falr, no fim do século XX, em contextualização.

O grande cientista da religião Helmut Richard Niebuhr, irmão do célebre teólogo Reinhold Niebuhr, foi um dos pioneiros nesse estudo, com o clássico Cristo e Cultura, onde distingue cinco diferentes possibilidades compreensão do relacionamento entre Evangelho e Cultura, que ele denomina: (i) Cristo contra a cultura; (ii) Cristo da Cultura; (iii) Cristo acima da cultura; (iv) Cristo e Cultura em Paradoxo; e (v) Cristo transformador da cultura. Niebuhr nos mostra como todos os cinco “tipos” (“tipos ideais”, como ele diz) foram praticados e implicitamente ensinados através dos tempos. No entanto, sugere que os primeiros dois são enganosos, distorções, o primeiro pela rejeição da cultura, e o segundo pela sua adoção não criteriosa ou sem qualificações necessárias. Eles representariam, grosso modo, os pólos fundamentalista e liberal. Os três outros tipos estariam, segundo o autor, mais de acordo com aquilo que o Novo Testamento propõe, o terceiro representando a posição tomista, o quarto a posição existencial-dialética, e o quinto a visão mais comum na teologia contemporânea.

Ao que me parece, a teologia da missão integral se propõe partidária, acima de tudo, da quinta possibilidade, de ver Cristo como transformador da cultura, sem negar a importância e o valor da cultura, como no caso principalmente do primeiro tipo niebuhriano, mas também do terceiro, típico do mundo evangélico conservador (que é em grande grau tomista sem saber disso). Trata-se, portanto, de trazer o Evangelho à cultura para redimi-la, não para alterá-la. Isso está de acordo com o que dissemos a princípio: o Evangelho só é verdadeiramente o Evangelho quando está enculturado, inserido na cultura e contextualizado, e só assim não é distorção.

Em suma, Cristo é mais, muito mais do que normalmente pensamos. Cristo significa uma vida melhor não só para o indivíduo, mas para a nação. O Evangelho propõe um mundo melhor, e nos convida a promover esta integração do Evangelho às culturas humanas em particular, e aos nossos projetos de civilização. Qualquer outra possibilidade é uma distorção alienante que retira do Evangelho seu escopo e seu poder transformador.


2.      Evangelho e Política

Há quem diga abertamente que o Evangelho nada tem a ver com política. Há quem deplore que se discuta o que se chama vulgarmente de “questões políticas” na igreja. Quando vemos o péssimo exemplo dos políticos evangélicos, até entendemos a razão desse tipo de ojeriza à política. Mas, em geral, é fruto de uma pregação evangélica distorcida que aliena as pessoas, fazendo-as pensar que as questões políticas e sociais nada têm a ver com espiritualidade.

A relação entre cristianismo e política não deve ser confundida com a relação entre igreja e estado. A separação entre igreja e estado foi uma preciosa conquista da democracia. Ela garante a liberdade de culto e garante que, na ausência de uma religião oficial do estado, nenhuma instituição religiosa será privilegiada pelas leis do país. Isso nada tem a ver, no entanto, com a relação entre cristianismo e política. O verdadeiro cristianismo, me parece, está envolvido nas questões sócio-políticas até o pescoço. Ou talvez deveríamos dizer: até a cabeça, que é Cristo.

Sabemos que a Bíblia e o Evangelho nos convidam a um sério engajamento com os problemas sociais, econômicos e políticos. O quietismo supostamente presente em Romanos 13 empalidece ante as inúmeras passagens bíblicas nos convidando à denúncia e ao combate das injustiças sociais e os desmandos políticos. Os estudos contemporâneos sobre os tempos de Jesus e sobre sua pessoa e ministério, como os de Marcus Borg, John Crossan, Richard Horsley, e N. T. Wright, entre outros, tornam patente o fundamental elemento sócio-político de sua missão.

Isso nos convida a entender o que é a ação política que tem lugar no contexto do Evangelho. Não estamos falando de política partidária, que visa a obtenção e manutenção do poder. A ação cristã na política partidária é, em geral, fisiológica e clientelista, em benefício de igrejas, inclusive, e é, em suma, má política e mau cristianismo. Estamos falando de cidadania e consciência política do cidadão que leva a envolver-se nas questões sócio-políticas que o afetam diretamente, e particularmente a formulação e promulgação de leis que o beneficiam ou não, enquanto cidadão.

Esse é o problema da ação social assistencialista, que é o que os evangélicos praticam, em geral, e que às vezes se confunde com Missão Integral e com consciência cidadã e sócio-política, quando não é. O assistencialismo não resolve os problemas sociais e políticos porque não atinge o cerne das questões, não desce às estruturas, não ameaça os poderosos. Pelo contrário, o assistencialismo se encaixa perfeitamente no modelo dos poderes opressores de uma sociedade. Por isso, as igrejas não são combatidas, porque não ameaçam esses poderes políticos e econômicos. Se o fizesse, seria perseguida.

O que seria, então, uma igreja engajada numa luta pela cidadania e pela conscientização sócio-política? Seria uma igreja que estimulasse os seus membros a protestar, por meios legítimos e não-violentos, como passeatas e abaixo-assinados, reivindicar ante as autoridades, e, por fim, exigir leis mais justas e ação governamental voltada para a melhoria das condições de vida dos menos favorecidos. Não é isso que acontece nas igrejas evangélicas.

Eu tendo a pensar que o que a FTL entende por Missão Integral implica em uma restauração da integralidade do Evangelho de Cristo, hoje obliterado nas igrejas evangélicas, por meio de uma compreensão da relação tensa e paradoxal entre Evangelho e Cultura que nos desafia com o poder de Cristo para a transformação da cultura, e por meio de uma compreensão da relação entre Evangelho e Política que nos faça perceber as dimensões políticas e sócio-econômicas da pregação de Cristo.


III. Via Negativa


Estamos prontos agora para iniciar nossa busca pelo sentido da expressão missão integral. Para fazermos esta busca juntos, proponho partirmos de uma ponderação invertida ou negativa. Em vez de nos perguntarmos “o que é missão integral”, perguntemo-nos antes “o que não é missão integral”. Faremos algumas sugestões que certamente auxiliarão na limpeza do terreno para uma edificação positiva mais adequada a seguir.

Então, comecemos. Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que:


1.      Missão integral não é “estratégia de evangelização”.

Eu peço perdão por iniciar esta parte com algo aparentemente tão banal, mas também tão fundamental. Vale dizer que eu mesmo já ouvi pessoas, em reuniões da FTL, manifestarem em suas falas, sem serem corrigidas, estar sob a sombra deste terrível equívoco. Não há equívoco mais contrário ao espírito da teologia da missão integral, em minha opinião, do que pensá-la como uma estratégia para a evangelização. É evidente que os adeptos da teologia de missão integral logo dirão que o próprio conceito de evangelização ganha novas cores a partir da adoção da noção de missão integral, que deixa de ser mera conquista de almas para Cristo, etc. etc. Porém, por outro lado, quem comete esse equívoco ainda não está, em geral, sob o impacto de uma nova compreensão do evangelho e da missão da igreja que a teologia de missão integral impõe. De qualquer forma, os evangélicos em geral tendem a cair ou recair em fórmulas gnósticas que separam e distinguem o material e o espiritual, o corpo e a alma, num espírito contrário ao do ensino neotestamentário. Vale a pena, portanto, lembrar e alertar que, acima de tudo, missão integral não é uma estratégia ou técnica de evangelização ou, o que seria ainda mais nefasto, de estufamento de igrejas.


2.      Missão integral não é “ministério de ação social”.

É possível que este seja o mais comum e mais perigoso engano no que se refere à noção de missão integral: confundi-la com o ministério de ação social de uma igreja local ou uma denominação. Não estamos dizendo que as igrejas não devam ter tal ministério. Muito pelo contrário. Ministérios eclesiásticos ou para-eclesiásticos de ação social podem ser um importante instrumento para a concretização de alguns aspectos do que chamamos de missão integral. Entretanto, esses ministérios não implicam que haja missão integral enquanto construto teórico teológico. Não se pode inferir da presença destas agências que haja missão integral, ou que elas trabalhem sob a égide da missão integral. E pode, por outro lado, haver missão integral sem que haja ministérios e agências de ação social, que são, no geral, de caráter meramente assistencialista, e não percebem a necessidade de instituir instrumentos políticos que possam gerar mudanças estruturais na vida sócio-cultural e político-econômica da sociedade.


3.      Missão integral não é uma “teoria missiológica”.

Então, em um nível mais profundo, alguém poderia supor, ao perceber que este construto teórico afeta diretamente as práticas eclesiais, que se trata de um construto teórico de teologia pastoral, e, mais especificamente, de missiologia. A missão integral seria, portanto, uma compreensão específica de como a igreja faz missão, ou, numa redação muito melhor, como a igreja cumpre a sua missão. Seria, portanto, uma tese missiológica, mais ou menos nas seguintes linhas: a igreja cristã tem a missão de pregar o evangelho, mas esta pregação não se faz apenas com palavras, mas com atos de amor que manifestem o amor de Deus pelas pessoas através de nós, através das ações das comunidades cristãs. É evidente que tal compreensão da noção de missão integral está bem mais próxima do adequado que as concepções equivocadas descritas acima. Percebemos, todavia, que ela também tem problemas teóricos, enquanto definição conceitual da endiadys “missão integral”. Em primeiro lugar, esta compreensão pode sugerir que a missão integral é uma teoria missiológica entre outras, que uma igreja ou um cristão pode escolher ou não como sendo a sua missiologia. Tal concepção da endiadys como mera teoria missiológica, portanto, coloca em risco a percepção de sua necessidade, no sentido filosófico do termo, para a presença do evangelho. Em outras palavras, ameaça tornar a noção de missão integral algo extrínseco ao evangelho, e não intrínseco ou essencial no evangelho. E tal minimização da noção é algo que a teologia da missão integral nunca tolerou nem pode tolerar. Em segundo lugar, torná-la meramente uma teoria de teologia pastoral põe em risco a centralidade do conceito na constituição do evangelho, e essa marginalização do conceito é também algo que a teologia da missão integral nunca tolerou nem pode tolerar.


4.      Missão integral não é “diaconia”.

Antes de mais nada, vamos esclarecer que o termo “diaconia” não está sendo aqui empregado como sinônimo de ministério de ação social da igreja local, ou com a idéia de uma “junta diaconal” na igreja local, ou coisas semelhantes. O termo está aqui sendo empregado para discernir algo que parece ser essencial no ensino de Cristo, que é servir. Confundir missão integral com ministério de ação social é banal e totalmente equivocado. Confundir missão integral com diaconia é bastante desculpável, pois o que proponho aqui é uma filigrana, uma distinção muito sutil realmente, que já nos lança para o âmbito da teologia bíblica e sistemática, e nos aproxima de nosso ponto de chegada, que é a relação entre missão integral e o próprio evangelho de Cristo. Esclareça-se agora, e desde já, que o evangelho de Cristo não é apenas o perdão de nossos pecados pelo sangue derramado na cruz. É, antes, nossa reconciliação com Deus pela união mística com Cristo. É a presença de Cristo em nós, a presença do Espírito Santo que é o Espírito de Cristo, que determina nossa redenção, nossa justificação e nossa santificação. A presença de Cristo em nós implica necessariamente em discipulado, sob o senhorio de Cristo. Portanto, implica em diaconia, isto é, em serviço, assumir a forma de servo que o próprio Jesus Cristo assumiu. A diaconia é, portanto, aspecto essencial do seguimento de Cristo. Quem está em Cristo, serve a Deus e ao semelhante. Sem dúvida que a prática diaconal de cada cristão no seu seguimento de Cristo parece indicar uma percepção maior ou menor, mais ou menos consciente daquilo a teologia da missão integral sugere acerca da natureza do evangelho, mas não é uma marca inquestionável de que a noção de missão integral tenha sido assimilada ou que, em outras palavras, a missão integral tenha sido adotada. É bem possível que um cristão pense na diaconia como um aspecto da vida cristã que nada tem a ver com missão.


5.      Missão integral não é outro nome para a “teologia da libertação”.

Muitos podem pensar que a teologia da missão integral é uma versão evangélica da teologia da libertação, cujos principais nomes são majoritariamente católico-romanos. Há, de fato, mitos pontos-de-encontro. Porém, há também pontos divergentes, e isso desde os fundamentos. Enquanto a teologia da libertação tem sido descrita por muitos como uma leitura marxista da Bíblia, e as evidências apontam para a propriedade desta percepção acerca do referencial teórico fundamental da teologia da libertação, o mesmo não se pode dizer da teologia da missão integral, que se propõe, talvez um tanto ingenuamente, como uma teologia que é produzida apenas a partir da Bíblia, sem utilizar nenhum outro referencial teórico como chave hermenêutica. Seja como for, o importante pressuposto por detrás desta comparação é que a teologia da missão integral é uma teologia, assim como a teologia da libertação. O que significa dizer isso? Significa que a teologia da missão integral é uma interpretação geral do que é o cristianismo, do que significa ser um cristão, uma interpretação sobre o significado do próprio evangelho.


IV. Vórtice Elucidativo


Então, perguntemos agora, ainda que tentativamente, “o que é missão integral”? Para responder a essa pergunta, temos que aglutinar alguns importantes componentes da equação, e o faremos por meio de um progressivo afunilamento teórico.


1.      Missão integral é uma teologia bíblica do evangelho.

Já dissemos que missão integral é uma teologia. Isso é elucidador, mas fica a pergunta: que tipo de teologia? Parece ser uma teologia bíblica, isto é, uma tentativa de configurar esquematicamente a instrução bíblica a partir da própria Bíblia em vez de partir dos loci communes da chamada teologia dogmática ou sistemática. Há, porém, muitos tipos de teologia bíblica, com diferentes ênfases. Parece-me que a teologia da missão integral é uma teologia bíblica que centra toda a reflexão teológica na definição da natureza intrínseca do próprio evangelho, e quero propor, mais construtivamente agora, que ela o vê como o cumprimento da grande comissão de Cristo à luz do Mandato Sócio-Cultural do Gênesis.


2.      Missão integral é uma interpretação da Grande Comissão à luz do Mandato Sócio-Cultural.

O Mandato Sócio-Cultural surge logo nos primeiros versículos da Bíblia, compondo as primeiras ordenanças de Deus ao homem na Criação. Ler a Grande Comissão de Mateus 28 à luz do Mandato Cultural é vê-lo como resgatado diante da redenção em Cristo em face da queda. Em outras palavras, no esquema Criação-Queda-Redenção, o Mandato Cultural é recuperado na redenção em Cristo pela chamada Grande Comissão.

O Mandato sócio-cultural de Gênesis nos aponta para o projeto de Deus para a espécie humana. O projeto não está explicitamente descrito, mas implícito naquilo que a narrativa bíblica apresenta na forma de comando divino. Ele inclui: (i) apoio à família e à educação; (ii) apoio à pesquisa científica e tecnológica; (iii) promoção da nutrição alimentar e, por inferência, de todas as necessidades básicas para a sobrevivência e saúde de todos, sem exceção de ninguém; (iv) descanso e lazer para todos, e, por inferência, trabalho para todos.

Por meio da redenção em Cristo, a sua igreja se torna novamente capaz de fazer valer o mandato sócio-cultural. Isto é ler a grande comissão como retomada do projeto divino para a humanidade. Isso é, para mim, a principal base para a teologia da missão integral.


3.      Missão integral é a Missão da Igreja e a Teologia que serve à Igreja.

A missão da igreja é sua razão de existir. Ela existe para cumprir sua missão, sem a qual ela não tem sentido algum. Creio que a teologia da missão integral reconhece isso e propõe que é preciso compreender a missão da igreja em sua inteireza. Mais que isso, implica também que a teologia da igreja só faz sentido se feita à luz da missão da igreja, auxiliando-a no cumprimento da mesma. Se não é assim, é teologia que se impõe sobre a igreja, e que obriga a igreja a servi-la em vez de servir a igreja. É teologia que atrapalha a igreja no cumprimento de sua missão. Toda teologia que se preze, creio eu, deve ser feita a partir de dois motores: o estudo da Bíblia e a missão da igreja.

Alguns dizem que a missão da igreja é adorar a Deus. Paulo ensina, em Romanos 12, que o verdadeiro culto a Deus é oferecer-se em sacrifício vivo, o que implica em algo mais que a adoração e o louvor na compreensão popular dos conceitos. Alguns dizem, em contrapartida, que a missão da igreja é evangelizar o mundo. De fato, mas aqui cabe perguntar o que isso significa. Seria apenas levar os homens a se decidirem por Cristo? A se tornarem membros de igrejas evangélicas? Ou seria a difusão do Reino de Deus? Ou seria ainda mais, a infusão dos valores do reino na cultura e na sociedade?


4.      Missão integral é o próprio evangelho.

Missão integral é, talvez, outro nome que se pode dar ao próprio evangelho, como um cognome, ou um aposto. Como aposto, poderíamos dizer, por exemplo: “o evangelho de Cristo, isto é, a missão integral da igreja, deve ser o centro da pregação cristã”, e assim por diante.

Evangelho, como todos sabem, significa “as Boas Novas da salvação em Cristo”. Eu quero crer que é isso também que significa a missão integral. Se não fazemos essa identificação, talvez seja porque limitamos, por vício, o escopo do significado do Evangelho. Salvação em Cristo significa união mística com Cristo: Cristo em nós, operando nossa justificação e nossa santificação. Cristo em nós implica em uma transformação espiritual sendo operada; implica na imitação de Cristo; em outras palavras implica em discipulado. Na verdade, creio que é preciso afirmar que não há salvação sem a presença do Espírito de Cristo em nós, e, portanto, sem obediência, sem esvaziamento, sem tomarmos a forma de servo que Cristo tomou. Em suma, não há redenção em Cristo sem seguimento, sem discipulado, porque não há evangelho sem discipulado. Seguir a Cristo e servir a Cristo significa um engajamento naquilo que chamamos de missão integral.

Então, não há outro evangelho, a não ser este: a adoção e a participação na missão que só pode ser integral. Em hipótese alguma uma missão parcial ou fragmentária poderá ser chamada de evangelho. Não há missão parcial. E aqui está a grande falácia por detrás desta expressão, desta endiadys: missão integral, pois falar em missão integral pode fazer presumir que há outra missão cristã ou evangélica que seja também válida, e que nãos seja integral, quando na verdade só há uma missão em Cristo: aquela que inclui a integralidade daquilo que o Evangelho representa.

O problema é que isso coloca todos os adeptos da teologia da missão integral em franca e direta oposição à larga e vasta maioria das igrejas evangélicas e do mundo evangélico, que jamais compreendeu e jamais aceitou a teologia da missão integral, que certamente não entende a missão da igreja dessa forma, mas antes pregando e praticando aquilo que os adeptos da missão integral seriam obrigados a chamar de “missão parcial”.

Só a aceitaram os chamados “evangelicais”, um adjetivo que se usa, em oposição a “evangélico”, para designar um grupo de evangélicos de difícil localização. Uma palavra que é um anglicismo, tradução do inglês “evangelical” que, na verdade, quer dizer “evangélico”, e não “evangelical”. O adjetivo “evangelical” tende a cair no vazio. Quem são os evangelicais, além dos participantes da FTL?

Mas acontece que, se não há missão parcial, isso tem sérias conseqüências para quem advoga a missão integral. Assim como uma meia-verdade é, em geral, uma mentira inteira, também a noção de uma missão parcial é um equívoco. Missão parcial simplesmente não é a missão cristã, pelo contrário, é uma distorção perigosa da missão, uma distorção alienante, aviltante e opressora. Não é a verdadeira missão do corpo místico de Cristo, a Igreja Invisível, que é sempre missão integral, uma vez que essa é a única genuína missão neotestamentária. Uma missão distorcida não só não é missão de Cristo, mas presta desserviço a Cristo, pois é missão feita em nome de Cristo sem ser de Cristo. Isso a caracteriza, a partir de uma perspectiva neotestamentária, como missão do anticristo. Toda igreja que se diz cristã, mas rejeita, não por ignorância, mas conscientemente, a teologia da missão integral, está, ipso facto, sub judice, como candidata a igreja do anticristo.


V. Palavras Finais

Alguém poderá dizer, agora que desembarcamos no porto final desta caminhada teórica que compõe esta comunicação, que as conclusões a que chegamos são apenas óbvias. Diante desta observação crítica, tudo que tenho a dizer é que concordo inteiramente. Assim já dizia Caetano Veloso que seriam óbvias as palavras que o índio proferiria em um ponto eqüidistante entre atlântico e o pacífico. E que surpreenderiam por ser óbvias, pois o óbvio é bom, é claro e é verdadeiro. É precisamente da obviedade que carecemos, mas não da obviedade tautológica ou repetitiva, a platitude que não passa de um lugar comum. O que se pretendeu foi dizer o óbvio que esclarece, que desobnubila, que desobstaculiza, que ilumina e que tranqüiliza o coração. Não proponho, porém, sequer que este trabalho específico de limpar o terreno para futuras edificações esteja completo. Esclareço ainda além, portanto, que este texto pretendeu apenas iniciar uma reflexão que deve continuar em conjunto agora, num espírito fraterno e elucidativo.