http://diaconia-integral.blogspot.com/
TRABALHO
Ação Social, desenvolvimento comunitário e teologia sob a ótica do interesse divino sobre toda criação.
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.
Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com igual valor para todos, e, nos termos da lei, mediante:
I – plebiscito; II – referendo; III – iniciativa popular.
Ola Gente!
A AMME Evangelizar em comemoração aos seus 10 anos de ministério lançou a Campanha BRASIL2010 com o objetivo de alcançar 20 milhões de pessoas através de 10.000 igrejas no Brasil. Como se vê no artigo abaixo, apesar de já terem conseguido bastante coisa, eles precisam de mais pessoas envolvidas. Leia, se envolva, divulgue.
Abraços
Lauberti Marcondes
http://diaconia-integral.blogspot.com
Desafio: Campanha BRASIL2010
O Senhor tem nos orientado a orar pelo crescimento de nosso ministério pedindo mais trabalhadores para nos ajudarem na grande colheita que estamos fazendo. Pensando nisso, quero convidar você a orar conosco de maneira bem específica, pedindo trabalhadores para nos ajudarem a vencer os desafios que estamos enfrentando nesse momento. Com a celebração dos 10 anos de fundação de nosso ministério, senti a direção do Senhor para fazermos algo ousado: envolver o dobro de igrejas que temos ajudado a cada ano e alcançar o dobro de pessoas que temos alcançado. Assim nasceu a campanha BRASIL2010, para alcançar 20 milhões de pessoas com a mensagem do Evangelho, envolvendo 10 mil igrejas. Nós estamos caminhando firmes nessa direção. Já cumprimos quase metade desse desafio e isso não é pouco. Treinamentos aconteceram em todo o Brazil, milhares de irmãos e igrejas já foram motivados, treinados e receberam material para evangelizar. Os testemunhos estão chegando e o Reino de Deus tem sido estabelecido. Mas ainda há muito o que fazer. A seara é grande e precisamos de trabalhadores. Ore conosco pelos trabalhadores que precisamos:
Articuladores: Irmãos bem relacionados com as igrejas de sua região, que se disponham a conversar com pastores e líderes de evangelização para informá-los da campanha e motivá-los a se envolverem. Pessoas que tenham fácil acesso aos meios de comunicação (internet, TV, rádio, jornais e revistas) e que se disponham a divulgar amplamente a campanha.
Facilitadores: Irmãos que amem e estejam qualificados para o ensino, que possam ser treinados para treinarem a outros, reunindo as igrejas de sua região e preparando-as para desenvolverem um trabalho de evangelização consciente e bem feito, para que alcancemos mais resultados.
Telemarketing: Irmãos que sejam hábeis na comunicação por telefone e que queiram nos ajudar nos contatos telefônicos, convidando igrejas para os treinamentos, articulando a retirada de materiais, solicitando relatórios, apresentando o ministério etc.
Transportadores: Irmãos que tenham transportadoras, caminhões, ou que disponham de combustível, para nos ajudar com o transporte de materiais em todo o Brazil, partindo de nossos armazéns em Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Fortaleza.
Provedores: Irmãos que possam prover espaço para a armazenagem de nossos materiais mais próximo das igrejas que estamos atendendo. Precisamos de espaços com 10 m2, de fácil acesso, com pessoas que possam zelar e entregar os materiais às igrejas conforme as nossas autorizações de retirada.
Assistentes: Irmãos hábeis na digitação e rotinas de escritório que possam nos ajudar com o grande fluxo de lançamentos e documentos gerados pela campanha: cadastros, autorizações, notas-fiscais.
Ore ao Senhor conosco. Comunique a outras pessoas essas necessidades. Apoie trabalhadores que queiram nos ajudar. Disponha-se a cooperar com essa obra. Nós estamos fazendo a maior evangelização que o Brasil já viu. Junte-se a nós! Para oferecer ajuda em qualquer uma dessas categorias, entre em contato com os missionários Julio Cesar juliocesar@evangelizabrasil.com; Eduardo de Carvalho eduardocarvalho@evangelizabrasil.com; Saulo Piloto saulopiloto@evangelizabrasil.com. Para mais informações sobre a campanha BRASIL2010 [clique aqui]A ocorrência de catástrofes com grande amplidão de destruição exige a presença dos cristãos em socorro às vítimas. As vítimas ficam em choque ao perder, em questão de minutos, tudo que construíram nas suas vidas – casas, bens, às vezes alguém amado da família, e com a possibilidade de ficarem feridas ou adoecerem por condições insalubres, sem moradia, comida e nem água. O seu chão foi tirado. A terra, que deveria ser a base onde os pés se firmam, tremeu. A casa engolida por deslizamento de terra. A água limpa que traz vida e sacia a sede, trouxe a morte e destruiu os seus meios de sustento. Tudo que provê vida se torna incerto e traiçoeiro.
As pessoas ficam desesperadas e desesperançadas quanto ao futuro quando a base da sua vida foi eliminada. Perguntam-se o que foi que aconteceu. Como o Criador da natureza deixou isso acontecer? Quem é esse Deus? Muitos pensam que a mão de Deus pesa sobre eles. Em alguns casos, preferiram morrer junto com os seus amados e vendo o sonho da sua vida desaparecer diante dos seus olhos. Sentem-se culpados de não terem morrido juntos e por não conseguirem salvar os seus familiares.
Ao prestar ajuda para sobreviver física e materialmente, é necessário também ajudar a retomar a vida com esperança, sem medo do futuro, nem amarguras contra o Criador, não perdendo a fé, mas se aprofundando na dependência de Deus. Mas como os socorristas podem acalmar o medo e apresentar respostas? Eles mesmos ficam abalados diante de tão grande sofrimento. Ajudam calados e chorando juntos. Falam de coisas irrelevantes para quem está com sofrimento atroz. Acabam apresentando a Palavra de Deus que aos ouvidos das vítimas soa como incompreensão, exigência, colocando mais fardo na condição delas. Alguns se mantém alheios. Outros julgam como punição pessoal e merecida de Deus.
O contexto do sofrimento necessita de compreensão bíblica, tentando entender do ponto de vista de Deus como diretriz da ação para ministrar de forma relevante. Um modelo seria o livro de Lamentações de Jeremias, que chorou ao ver a desolação de Jerusalém destruída, mas que não perdeu a esperança por se apegar na misericórdia infindável de Deus. Harrison comenta que "Soberania, justiça, moralidade, julgamento de Deus e a esperança da benção no futuro distante são temas que surgem com grandeza solene das cadências de Lamentações." Há muitas paralelas da situação mencionada por Jeremias. O sofrimento diante da destruição foi pessoal e coletivo, físico, material, emocional e espiritual (3:4-6).
Lamentações 3
I. Necessidade de conhecer a época – contextos
1. Contexto de sofrimento: O livro inteiro menciona um contexto de grande sofrimento, destruição da cidade inteira e dos seus muros, crianças morrendo de fome, mães desesperadas, moças desoladas, jovens mortos e levados ao cativeiro, sem mais sacerdotes, nem profetas ou príncipes. Lamentações se faziam em situações de luto e aqui era luto nacional.
2. Contexto de grandes pecados como causa fundamental do sofrimento em geral. No caso em Lamentações, o pecado foi nacional e coletivo. Em catástrofes, há causas diretas e indiretas. As diretas seriam guerras e violências provocadas humanamente. As indiretas seriam a ganância e exploração que provoca extrema pobreza e o aquecimento global, a corrupção de uso de material de qualidade inferior nas construções que não aguentam em terremoto e chuvas pesadas. Há outras que parecem falha da natureza como as placas tectônicas que se movem. Fundamentalmente, entende-se que o pecado humano ao romper com o Seu Criador trouxe a consequência da entrada do mal no mundo. O que foi criado bom, agora desanda. Jeremias mencionou grandes pecados (1:8, 14, 18, 22, 3:42; 4:6; 5:7), falsos profetas (2:14; 4:13), inversão de valores de Deus - escárnio aos justos, de injustiça social - exploração dos que não podiam se defender, perversão de justiça e direitos humanos – criação de Deus, iniquidade abundante e atos abomináveis contra o que é sagrado.
3. Contexto de perigo sério, perigo de vida (vs.53-55) – de morte física e de morte espiritual.
II. Jeremias reconheceu Deus como Senhor soberano sobre todos os contextos, conheceu o caráter d'Ele e, portanto, reconheceu os atos d'Ele e seus desígnios.
1. Reconhecimento da soberania de Deus v.3:38 – mal e bem ("desgraças e bênçãos" NVI) procede do Altíssimo. Tsunami, dezembro de 2004 provocou muitas discussões se foi punição de Deus. Os muçulmanos atribuíram castigo de Allah por algo que o povo fez, os hindus e budistas fizeram sacrifícios para aplacar a ira dos deuses ou dos espíritos.
2. Reconhecimento do amor, compaixão, misericórdias infindáveis e fidelidade do Senhor (vs.22-23 – hesed, grande amor, "carinho", compaixões no plural para intensidade, com raiz na palavra rehem = ventre materno, a bondade amorosa se renova a cada manhã). É a razão de não sermos consumidos, de estarmos ainda vivos.
3. Reconhecimento da justiça de Deus que não tolera pecado (v.34-36 – exploração, maldade, injustiça, perversão do direito – situação brasileira e de muitos países).
4. Reconhecimento que Deus tem o plano de levar o homem ao arrependimento, permitindo sofrimento, trazendo-o à salvação. V.31-33 "não aflige, nem entristece de bom grado os filhos do homem". Hoje continuamos a ouvir casos de conversões pós-tsunamis, de indagação dos povos pós-guerras e sua afirmação de que só Deus pode interferir e mudar, só Jesus pode acabar com as maldades que o próprio povo está cometendo contra os patrícios. Harrison afirma que "o autor de Jó e o de Lamentações reconhecem que uma reação positiva ao sofrimento é um pré-requisito à maturidade espiritual. Esta percepção é a base para a expectativa de que após a tribulação virá restauração e bênção, por causa da bondade de Deus, para um povo que realmente estiver arrependido."III. A nossa reação de entendimento e convicção da justiça e misericórdia de Deus, que quer levar todos à salvação, leva à ação.
· V.21 trazer à memória – "fará voltar ao coração", ao centro de afetividade, "o que pode me dar esperança" – a misericórdia infindável de Deus para com os homens;
· Não questionar, mas entender os atos de Deus (vs.37-39), castigo de pecado para levar ao arrependimento (vs.31-33). Stephens-Hodge ao comentar sobre crianças de peito que desfaleciam em busca de pão, "Sofrimento tal como esse é sempre um profundo mistério: mas nem mesmo uma criança pode ser considerada isoladamente". W.F. Adeney "É uma monstruosidade acusar a providência de Deus por causa das conseqüências das ações que Ele tem proibido". Na soberania de Deus, nada pode acontecer sem a permissão d'Ele. Quando Ele permite sofrimento, na Sua misericórdia fará emergir o bem do mal (Rm. 8:28).
· Sentir junto ao ver (v.1) – pessoal e corporativo como Neemias na confissão de pecado do povo. "Sofrimento pessoal (de Jeremias) e representante típico do povo" (Gaster).
· Lamentar com sinceridade, colocando-nos juntos no sofrimento e no pecado da humanidade, vs.40-42, na identificação com a pecaminosidade humana.
· Rogar, clamar com choro incessantemente até a misericórdia de Deus se manifestar, os pecadores se arrependendo, vs. 49-51. Harrison diz que podemos acreditar em uma divindade tão imutável e digna de confiança, e orar em completa submissão à Sua vontade soberana, que Ele olhe novamente com favor para seu povo.
· Advertir e proclamar para levar ao arrependimento, v.29 – "ponha a boca no pó", a forma oriental de reconhecimento da indignidade, se prostrar em submissão total.IV. Ter certeza do final de todas as situações
· Deus ouve o clamor do Seu povo - v.56.
· Deus vem e se faz presente - v.57.
· Deus consola e assegura - v.57b "Não temas".
· Deus defende dos inimigos - v.58 – punição dos inimigos.
· Deus salva - v.58b "remir a minha vida".
Walvoord e Zuck mencionam sete princípios da natureza da aflição de Israel:
(1) Aflição deve ser aguentada com esperança na salvação de Deus, ou seja, a restauração final (3:25-30).
(2) Aflição é somente temporária e é amenizada pela compaixão e amor de Deus (vs.31-21).
(3) Deus não se regozija na aflição (v.33).
(4) Se a aflição vem por causa de injustiça, Deus a vê e não aprova (vs.44-46).
(5) Aflição ultimamente veio por causa dos pecados de Judá (3:39).
(6) Aflição deve cumprir o objetivo de trazer o povo de volta para Deus (v.40).
Devemos pregar o arrependimento igual como fazemos em qualquer situação também de bem-estar. Mas também devemos assegurar da misericórdia de Deus. A diferença está na ministração efetiva integral em contexto de grande sofrimento. Primeiramente nós mesmos precisamos ter o coração de compaixão, de identificação com o sofrimento dos povos e com a pecaminosidade do ser humano, chorar compungido rogando a Deus pela misericórdia, e a agir com compaixão como socorristas.
E quanto à pergunta de todo o tempo de "Por que o justo sofre?", quanto aos inocentes sofrendo grandemente em catástrofes? "Ultimamente há profundidade nas ações de Deus que o homem finito não pode entender. A revelação de Deus em palavra e em ação mostra consistentemente sua justiça e amor em aliança; porém há sempre um resíduo de experiência humana que exige que curvemos a uma sabedoria alta demais para nossa compreensão. Encontramos o exemplo supremo na cruz e no grito de Jesus em Marcos 15:34. Por isso cada teoria fácil da Expiação tem falhado há muito tempo, pois há profundidades no Gólgota que passa a compreensão humana. Somente quando na glória veremos o livre arbítrio e a predestinação reconciliados que também compreenderemos como a soberana vontade de Deus é compatível com sua justiça e amor de aliança com o seu povo." H.L. Ellison"O âmago do poema, tanto literal como espiritualmente, é a passagem central do capítulo central. Cinco vezes ocorre a palavra 'esperança'. A aflição cumpre seu trabalho de humilhar (v.20). O sofredor compreende o seu significado e grita: tenho 'ESPERANÇA' (v.21). A nova esperança está apenas em Deus, como mostra o contexto. Isso é de novo enfatizado quando o poema termina -
"Tu, Senhor, reinas eternamente' (5:19). A oração final do poema será ainda cumprida, 'Renova os nossos dias como dantes' (5:21)." Baxter
_____________________________________________________________________________________
Bibliografia
Baxter, J.Sidlow, Examinai as escrituras, Jó e Lamentações, Vida Nova, 1993.
Harrison, R.K., Jeremias e Lamentações, introdução e comentário, Vida Nova, 1996.
-----------, Introduction to the Old Testament, Tyndale, London, 1970.
L.E. H Hodge in "O Novo Comentário da Bíblia", p.785, Vida Nova, SP, 1985.
Ellison, H.L. in "The Expositors Bible Commentary, Old Testament", Vol. 6, p.699, Zondervan, Michigan, 2002.
Keil, C.F., Introduction to the Old Testament, Hendrikson, Mass., 1991.
Walton, J. H., Matthews V.H., Chavalas M.W., The Bible Background Commentary, Old Testament, IVP,
Downers Grove, 2000.
Walvoord, John F. e Zuck, Roy B., edit., "The Bible Knowledge Commentary", p. 1210, Victor, Colorado, 2005.
AUTOR
Margaretha N. Adiwardana
É Presidente/Fundadora da AME, membro da Missions Commission da WEA – World Evangelical Aliance; missionária associada da IEM – Indian Evangelical Mission, professora de missiologia, coordenadora da Rede SOS Global. Fonte: http://www.vidanova.com.br
Próximo Módulo: Liderança e Empreendedorismo Social
Palestrante: Profº Wellington Fernandes Silva
Data: 16 e 17 de julho
Local: Seminário Teológico do Betel Brasileiro em São Paulo.
WELLINGTON FERNANDES: Licenciado em Letras e pós-graduado em Língua Inglesa e Pedagogia Social, leciona na Universidade Estadual de Montes Claros – MG e no Seminário Teológico Batista do Norte de Minas. Consultor em Desenvolvimento Humano e Social, o professor Wellington é credenciado pelo IGETEC (Instituto de Gestão Organizacional e Tecnologia Aplicada) com sede em Belo Horizonte. Trabalha há mais de 20 anos com o Terceiro Setor tendo passado também pela Gestão Pública. Trabalha com Planejamento Estratégico e ministra palestras sobre Educação e Desenvolvimento na perspectiva do empreendedorismo, tendo realizado pesquisas no Brasil e no exterior e participado, com outros especialistas brasileiros, da construção de Tecnologias Sociais aplicadas aos referidos temas. Desenvolve ainda alguns projetos de publicação, dentre eles, um livro intitulado Empreendedorismo Bíblico que propõe uma ruptura com a visão estereotipada do tradicional conceito de sucesso.
Contamos com a sua presença!
Em Cristo,
Ana Paula
Secretaria do Curso
| Conferência: Caminhos, Descaminhos e Novos Desafios para a Teologia da Missão Integral e pelo Movimento de Lausanne – I – Ronaldo Cavalcante. Introdução Parece não haver mais dúvidas acerca da religião como fator constitutivo da cultura brasileira e de sua identidade social aberta aos fenômenos religiosos, contrariamente às premissas da modernidade racionalista que postulavam o banimento de qualquer tipo de explicação da sociedade a partir de uma cosmovisão religiosa, qualquer que fosse. Contudo, verifica-se também aqui a presença de interessantes e eficazes elementos secularizantes. Quer dizer, o sincretismo brasileiro, tão forte nos inícios da nação "cordial", revigora-se e promove o encontro de um mundo ainda encantado, mágico e religioso, ao som de sinos, atabaques, mantras e cânticos sagrados com o entzauberung der welt – em que ciência, técnica e tecnologia de ponta forjam uma nova sociedade em detrimento do "exílio do sagrado", ao som de bips, alarmes e celulares – os ruídos de um novo tempo! Creio ser oportuno pontuar que grande parcela da religiosidade brasileira atual, está moldada pelo segmento cristão, como também o seu imaginário e dinamismo do cotidiano popular. Sem esquecer ainda que o cristianismo brasileiro constituiu-se, primeiramente com a presença massiva, hegemônica e normatizante do catolicismo ibérico tridentino (séc. XVI em diante); posteriormente, com o chamado protestantismo histórico, anglo-saxônico e anglo-americano de imigração e missão (séc. XIX em diante), já incluído aí o pentecostalismo; e por último, o denominado neopentecostalismo (final do séc. XX em diante), agregando elementos "novíssimos", sincréticos e insólitos ao já rico panteão religioso nacional. Apenas por esses dados iniciais, estaria mais que legitimada do ponto de vista empírico uma investigação minuciosa relativa ao fenômeno em si; hoje, maximizado e com um espectro multifacetado; como também e principalmente o lugar que o mesmo ocupa na cultura brasileira como um todo. Percebe-se também que a tradição cristã sempre cultivou a prática de algum tipo de formação teológica pari passu com o seu fenômeno religioso. Portanto, uma questão importante seria entender a devida relação entre esses dois campos. De um lado, o fervilhar pastoral da experimentação cristã de um tipo de "sagrado selvagem" e do êxtase arrebatador da liberdade em Cristo com todos os seus matizes e cores tratando de "iluminar a dor" da existência humana com o recurso nada modesto de conectar-se ao transcendente, ao "totalmente outro", buscando assim minorar o sofrimento e superar a indigência material e a exclusão social, além de salvaguardar a certeza de um futuro melhor do que o atual presente de misérias. Por outro lado, a necessidade de normatização e regulação da fé – regula fidei do fenômeno religioso por meio de uma compreensão da mesma – intellectus fidei; impondo regras e limites hermenêuticos na leitura da Escritura e que simultaneamente impõe balizamentos ético-morais do agir cristão orientando, coibindo os excessos e fazendo com que a riqueza da religiosidade atue de forma consciente e crítica como força agregadora na construção de um ethos que reflita a dignidade e caráter de Deus. Portanto, a ação reflexiva e oportuna de uma boa teologia contextual, não por diletantismo ou mesmo soberba, mas antes pela necessidade de que os saberes da espiritualidade cristã, da cidade de Deus escondidos na Escritura se articulem com os saberes da humanidade, da cidade do homem para a melhor promoção da vida e humanização. I. Os caminhos desencaminhados... Já, há um bom tempo, após muitos estudos, pesquisas e reflexões, e a partir de uma performance conhecida, porquanto recorrente, que pudemos localizar o problema evangélico brasileiro como sendo o de uma anomalia de identidade. Anomalia que possibilitou uma constatação factual: não sabemos mais quem somos ou o que somos, quer dizer, temos a resolver um dilema ontológico. Esse é de fato um problema estrutural, basilar e de magnitude considerável uma vez que deflagrou problemas corolários imprevisíveis e que para não poucos são também "problemas coronários", ou seja, um local de situações quase sempre desgastantes, estressantes e mal resolvidas – constituindo-se num espaço de enfermidade – exatamente pela acumulação e sobreposição das mesmas. A guisa de aproximação façamos o necessário recorte: somos, nós da FTL, em nossa grande maioria, cristãos protestantes, oriundos de igrejas históricas que, muito embora, nossa razoável formação cristã proveniente da insistência na Escola Dominical e, no caso do clero, de seminários e faculdades de teologia, a verdade é que fomos incapazes de superar nossas especificidades denominacionais em nome da causa maior do Evangelho: a Unidade cristã – estamos e somos desunidos, essa é a nossa vergonha; vivemos em ilhas formando um imenso arquipélago, cada vez mais fragmentado (tipo de divisão celular descontrolada) e à deriva. Encontros como esses, proporcionados pela FTL, são verdadeiros (e importantes) "faróis" para nossa orientação e lugar de descanso momentâneo na dura convivência com o nosso dilema. Tal situação (de alienação uns dos outros) se solidificou exatamente pela complexidade interna de cada ilha denominacional impedindo que esforços pela unidade lograssem êxito. Concomitantemente, estamos aqui porque acreditamos que a idéia, a proposta da Missão Integral emanou e nos veio ao encontro, a partir do próprio Evangelho que descreve o ministério de Jesus como tendo, por um lado, essa dimensão de "integralidade" e, por outro, guardando certa reserva ao estruturalismo eclesiástico, porquanto privilegia explicitamente as relações pessoais em detrimento das conjunturas institucionais, já chamado entre nós de "intitucionalismo patológico" (G. Alencar). A estrutura eclesiástica é importante como serva do Evangelho. Mas não é constitutiva. Ela é uma questão de "bene esse" da Igreja e não de "esse", ou seja, o que está em jogo não é o "ser", e, sim, o "bem estar" da Igreja, como nos diz G. Brakemeier. Isso implica em que o caráter institucional da Igreja tem uma importância secundária quando comparado com o testemunho da fé. A evidência recuperada do Evangelho desse caráter integral da missão foi exaustivamente explorada e ressaltada nesses 36 anos de caminhada, desde Lausanne, 74. Nossos pioneiros da Missão Integral, brasileiros e latino-americanos, etc., nossos mestres, aqui nos brindaram, enriquecendo-nos com esse resgate. Em meio ao caos da igreja evangélica brasileira esta visão do Evangelho nos alimenta a esperança para continuar caminhando. Entretanto, parece ser que a mensagem da Missão Integral, não identificada com um denominacionalismo protestante, presente de forma cristalizada nas igrejas históricas, nem tampouco como o movimento pentecostal, herdeiro tardio das correntes avivalistas dos séculos XVIII e XIX e muito menos ainda com o movimento ecumênico, mais ligado ao mundo acadêmico e às teses do liberalismo teológico e da neo-ortodoxia, e que, enfatizando mais a missão e evangelização num sentido mais abrangente, tal mensagem, ficou restrita a uma minoria remanescente desses três segmentos citados, sem envolvimentos denominacionais maiores, somado a uma crítica contumaz aos excessos do pentecostalismo (a gente era feliz e não sabia!!!) e ainda um distanciamento, aliás, mutuamente estigmatizante do movimento ecumênico. Este modus operandi de isolamento, inconsciente ou não, nos segregou ainda mais, uma vez que nos afastou também da necessidade e exigência de uma boa formação teológica nos impedindo de renovarmos nossa identidade com aportes, tanto da espiritualidade cristã clássica, como também das várias e ricas tradições protestantes, bem como da própria teologia da libertação e da leitura popular da Bíblia. O resultado foi que, a mensagem da Missão Integral, apenas pode ser desenvolvida e encontrada em determinados grupos para-eclesiásticos (abu/mpc/jovens da verdade/vpc/visão mundial, e muitos outros...), em congressos e consultas ocasionais, em ministérios individuais e especialmente na FTL. Para tornar ainda mais complexa a situação, deve-se mencionar que não contávamos com o surgimento do "rolo compressor" do neopentecostalismo que pela sua agressividade atropelou com violência os três segmentos citados criando uma situação de "inundação religiosa", caótica e anômica, portanto descontrolada, mas que surpreendentemente parece abrir espaço, face ao esgotamento, para algo mais singelo como a Missão Integral em sua simplicidade evangélica. Quer dizer, perante o colapso do fenômeno evangélico, a possibilidade de volta ao Evangelho torna-se concreta e plausível. Um fato é inquestionável: a ausência da mensagem da Missão Integral favorece o crescimento e fortalecimento da bizarrice carismática, por um lado e do radicalismo doutrinário, por outro. Senão vejamos: 1. Carismatismo e utilitarismo religioso – que empreende tanto uma leitura individualista quanto materialista da Escritura e da vocação da igreja, estimulando um tipo de hedonismo religioso e um aburguesamento da fé criando uma cultura de gueto paralela, cujo pragmatismo exclui qualquer tipo de abordagem mais crítica; absolutizando a experiência e legitimando o mundanismo consumista em nome de Deus – um simulacro do mundanismo legitimado. 2. Dogmatismo neofundamentalista – empreende uma leitura redutora, e, portanto, não integral do mistério da fé. Busca chegar às fórmulas doutrinais perfeitas, definindo e sintetizando a essência do cristianismo em palavras, num tipo de teologia positiva. E que, definindo, age por exclusão, pois se tem a convicção de posse da verdade e de poder manipulá-la ao bel prazer. Um Deus sem nenhum mistério e experimentado no interior da coisificação religiosa. Enfim, tal postura faz de Deus um ser domesticado, engaiolado – um simulacro da verdade objetivada. II. Descaminhos encaminhados... Não obstante, tal condição, torna-se um tempo de oportunidades de fé – Não ignoremos jamais a definição de fé extraída das Escrituras: "Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem" (Hb 11,1). Não ignoremos igualmente, o significado supremo de que "De fato, sem fé é impossível agradar a Deus..."(Hb 11,6). A fé somente tem sentido a partir da ausência. Ou, também como nos diz o próprio Senhor: "Bem-aventurados os que não viram e creram" (Jo 20,29), pois "a fé vem pelo ouvir" – fides ex auditu ( ). Realidades presentes não exigem fé, descartam-na! Ao contrário da presentificação divina atrelada ao poder institucional, manifesto numa estética de empoderamento das almas, tanto no carismatismo utilitário, quanto no dogmatismo neofundamentalista, que igualmente e há seu tempo, descartaram a profecia em detrimento da monarquia na história bíblica do povo de Deus, a fé depende da ausência, a ausência outorga significado à fé, fazendo da desinstalação do "arameu errante" e da "noite escura da alma", lugares e caminhos de teofanias e epifanias. Ao sentirmo-nos fracos e impotentes, creio, poderemos rearticular a mensagem da Missão Integral, em meio à precariedade evangélica do nosso país – ausência, fraqueza, loucura, são sinais de possibilidades. Possibilidades de fazermos novamente discipulado, de lutarmos por uma boa educação teológica dos nossos futuros pastores, discutirmos novamente o conceito de "princípio protestante", de buscarmos os "lugares" perdidos da espiritualidade cristã e a participação da igreja, por meio do diálogo: na cidadania, na luta pelos direitos humanos e nos temas da cultura brasileira, como a riqueza da nossa música, por exemplo. Quem sabe os princípios axiais da Missão Integral possam ser veiculados por uma nova música cristã. Com isso, minha "sugestão" é que a mensagem da Missão Integral seja retomada de forma programática nos diversos núcleos da FTL, havendo concentração em pelo menos três grandes áreas de reflexão: Área 01 – A Missão Integral propriamente dita. Com o devido espaço para um revisionismo crítico necessário. a) Histórico da caminhada (bibliografia especializada); b) Avanços e retrocessos do movimento; c) Temas centrais de sua teologia; d) Motivações e intenções do movimento; e) Atualidade e futuro da Missão Integral no Brasil. Área 02 – Identidade protestante e espiritualidade cristã. a) Protestantismo e Escritura; b) Protestantismo e modernidade; c) Psique protestante; d) Protestantismo e educação teológica; e) Protestantismo e liberdade; f) Loci spiritualis da Escritura; g) Loci spiritualis dos Pais da Igreja; h) Loci spiritualis do medievo; i) Loci spiritualis protestantes; j) Temas atuais e fronteiriços da espiritualidade. Área 03 – Cristianismo, Evangelho, igreja e cultura brasileira. a) Judaísmo e cristianismo; b) Cristianismo e helenismo; c) Evangelho e Reino de Deus; d) Igreja e Estado; d) Igreja e sociedade; e) Igreja, missões, evangelização e discipulado; f) Igreja, ética e moralismo; g) Igreja, etnia e inculturação; h) Fé cristã e pluralismo religioso; i) Cristianismo e mpb; j) Música cristã e o desafio da música gospel. Bibliografia: ALENCAR, Gedeon, Protestantismo tupiniquim: hipóteses da (não) contribuição evangélica à cultura brasileira. São Paulo: Arte Editorial, 2005. ALMEIDA, Ronaldo, Dinâmica religiosa na metrópole paulista: São Paulo: CEBRAP, 2003. ________________, AMORESE, Rubem (ed.), A igreja na virada do milênio: a missão da igreja num país em crise. Brasília: Comunicarte, 1995. CAMPOS, Leonildo S., "O estudante de teologia candidato a pastor – contribuições das ciências sociais para uma análise da formação do futuro clero protestante brasileiro" in Revista Simpósio 45, vol. 10 (1), São Paulo: ASTE, 2003, pp. 5-22. ____________________, Teatro, templo e mercado: organização e marketing de um empreendimento neopentecostal: São Paulo/Petrópolis: UMESP/Vozes, 1999. CAVALCANTE, Ronaldo, A cidade e o gueto: introdução a uma teologia pública protestante e o desafio do neofundamentalismo evangélico no Brasil. São Paulo: Fonte Editorial, 2010. GONDIM, Ricardo, Missão integral. São Paulo: Fonte Editorial, 2010. KOHL, Manfred W. e BARRO, Antonio C. (orgs.), Educação Teológica Trasnformadora. Londrina: Descoberta, 2004. McALISTER, Walter, O fim de uma era: um diálogo, crítico, franco e aberto sobre a igreja e o mundo dos dias de hoje. Rio de Janeiro: Anno Domini, 2009. SCHNEIDER-HARPRECHT, Christoph (org.) Teologia prática no contexto da América Latina. São Leopoldo: Sinodal, 1998. YODER, John H., SOLANO, Lilia, PADILLA, Carlos, R., Iglesia. ética y poder. Buenos Aires: Kairós, 1998. |
Fonte: www.renas.org.br